segunda-feira, outubro 31, 2011

Humor


Quem tem medo do... dreno?

Sete dias depois da cirurgia fui retirar o dreno. Estava muito receosa, achei que ia doer. Eu tinha esta impressão porque o dreno incomoda demais, muito chatinho. Mas não doeu nadinha, super tranquilo. Cinco dias depois eu deveria voltar para retirar os pontos.

Em casa



Chegar em casa foi uma delícia. Não precisava mais andar com "soro" pendurado no braço, nem tinha ninguém me acordando a cada quatro horas para me medicar. Dormir na minha cama novamente foi o melhor remédio, dormi a noite toda. 

Na manhã seguinte eu já tinha uma rotina para seguir, uma rotina que exigia de mim disciplina, coisa que nunca tive muito na minha vida. Horário para acordar e tomar a medicação, tomar café-da-manhã, ingerir uma quantidade de água para evitar a desidratação, etc.  

Aos poucos vou me acostumando com a nova rotina, apesar de ainda estranhar muito como eu demoro para ingerir 100ml de líquido (é quase uma eternidade). Aos poucos começo a conhecer alguns limites do meu corpo, a me adaptar, a criar um hábito. Um hábito diferente dos que eu tive durante todos os meus 29 anos. É difícil? Sim, muito.  Mas é uma escolha e esta deve ser consciente. 

Não tenho queixas a fazer, os resultados começam a aparecer (já não tomo remédios para hipertensão arterial) e isso me motiva muito. O caminho não é só flores, na vida nem tudo é flores.  Mas a cada dia percebo que este novo caminho é infinitamente melhor do que eu trilhava antes.

No quarto


No quarto eu me senti mais animada, podia receber visitas. E recebi algumas que me deixaram muito feliz. Fiquei no quarto três dias. No segundo dia foi liberada para mim a dieta líquida de prova. Foi muito bom tomar água, mas a água de coco não desceu de jeito nenhum. Então, trocava por chá. Não podia suco, nem gatorade, só água, chá e água de coco. Não sentia mais dores, nem enjôo. Mas eu comecei a pensar como seria minha vida quando eu chegasse em casa. Como eu enfrentaria este novo desafio. No domingo, quando tive alta eu já sabia que uma nova vida estava me esperando.

sábado, outubro 29, 2011

O não tão doce despertar


Eu não tinha ideia de quanto tempo havia passado. Eu ouvi algumas pessoas falando comigo ao longe, muito longe. Eu estava muito enjoada. Depois de algum tempo, que eu também não sei dizer quanto, eu escutei a voz do meu irmão. Tentei abrir os olhos mas via tudo embaçado, como uma bruma branca, não via nada direito.

O enjôo não passava e comecei a vomitar novamente, mas, não saia nada. A dor que eu sentia não era uma dor insuportável, era pouca dor, mas o que incomodava é que ela era uma dor constante, não parava nunca. 

Depois de "vomitar" umas três vezes eu apaguei novamente. Quando acordei não estava mais enjoada, só sentia a dorzinha incomoda. Desta vez eu consegui enxergar tudo e vi uma enfermeira no quarto. Perguntei a ela aonde eu estava, ela disse que eu estava a UTI. Perguntei que horas eram, ela respondeu que eram quase 18h. Disse para ela que estava com dor e ela chamou o médico da UTI.

Gente, nos meus 29 anos de vida eu nunca, nunca, nunca, nunca encontrei um médico tão amoroso na minha vida. Humano mesmo. Eu reclamei que estava com dor e ele me explicou que era assim mesmo, que estavam me medicando e que um pouquinho de dor eu ia sentir naquela noite.  Sempre ele passava no meu quarto, me perguntava se eu estava bem e conversava um poquinho comigo, sempre alegre.

De madrugada chegou a fisioterapeuta e eu pedi para ela me levar ao banheiro. Eu estava de fralda mas não conseguia fazer na fralda, aff! Ela me ajudou e depois caminhamos pela UTI duas vezes.

Voltei para minha cama e senti um pouco de enjôo, "vomitei mais duas vezes e dormi.
No outro dia de manhã acordei com a enfermeira me chamando para tomar banho. Que alegria! A dorzinha chata havia ido embora e tomei banho sozinha (só não consegui lavar os pés) e escovei os dentes.

Quando ela foi trocar os curativos, surpresa! O dreno sumiu. Ligaram para o cirurgião e de  tarde ele veio e pinçou o danadinho que estava escondido. 

E assim foi minha estadia na UTI, remédios, exames (éééé exames!), caminhadas, dormir e dormir. Depois de dois dias na UTI me deram alta para o quarto. 

O dia da cirugia


Dia 20 chegou e eu estava com medo. Levantei cedinho, tomei um banho bem gostoso, vesti roupas quentinhas (aqui estava uma manhã bem fria) e fui para o hospital. Estava com 12 horas de jejum total.  Cheguei ao hospital às 7h (minha cirurgia estava marcada para às 9h) e fui ao setor de internação entregar toda a papelada. Depois fiquei numa salinha de espera super linda, nem parecia hospital, esperando minha hora. Estava bastante nervosa. Quando a secretária do centro cirúrgico veio me buscar meu coração quase saiu pela boca.

Antes de entrar no centro cirúrgico vesti uma camisola e coloquei uma touquinha, dei um abraço na minha cunhada e comecei a chorar. Estava com medo do desconhecido, de tudo que tinha que enfrentar a partir dali. Entrei no centro cirúrgico chorando e a enfermeira tentou me tranquilizar. Levei algum tempo para parar de chorar. Realmente eu estava bastante assustada. 

Mas que lugar mais frio e feio este tal centro cirúrgico, caramba! Eu estava com dois cobertores e mesmo assim eu tremia tanto  que tiveram que trazer um aquecedor para mim. Eu não sabia se estava tremendo de frio, de medo ou dos dois. No meio do meu preparo, antes da anestesia, meu cirurgião veio falar comigo. Disse para eu ficar tranquila que tudo ia dar certo. A todo momento alguém da equipe me perguntava se eu estava bem.

O anestesista disse que havia chegado o momento e que eu ia começar a sentir um soninho. Foi um momento quase de alívio. Fiz uma prece, pedi à Deus para cuidar de mim, agradeci por tudo na minha vida, pensei em algumas pessoas e me senti um pouco mais calma.  Acho que em poucos segundos eu apaguei. 

Meia anti trombo

Quando falei com a secretária do cirurgião ela esqueceu de me dizer algumas coisas sobre a meia, só quando fui comprar é que descobri que são necessárias a marca (que o cirurgião preferir),  o tamanho (que é medido através de nosso tornozelo e panturrilha),  o comprimento e a compressão.

Elas são indicadas para a prevenção de trombose venosa e embolia pulmonar durante e após a cirurgia.  Elas não são muito baratinhas, custam entre 46 e 80 reais, depende da marca. Assim, que antes de comprar a sua pergunte a secretária ou ao cirurgião estes detalhes. 


Dieta branda e líquida pré-operatória


Os dias passaram rápido, faltava 7 dias para a cirurgia e eu deveria começar a dieta pré-operatória. Um dia antes de iniciar a dieta eu decidi comer o que eu mais gosto: pizza. Caramba! Como eu comi, comi tanta que depois deu até arrependimento. 

No dia seguinte iniciei a chamada dieta branda. Nela eu podia comer arroz, pães,  massas com molho coados, carnes magras, polenta, purê, gelatina, sucos coados ou concentrados. Dois dias depois dei início a dieta líquida e ela é sem resíduos, sem leite e derivados. Mas eu podia tomar chás claros, caldos de canja coada, caldo de sopa coado, gelatina (durinha, ainda bem), gatorade, água de coco, sucos concentrados ou sucos naturais coados. 

Foram cinco dias de dieta líquida, foram dias difíceis para mim. Me senti muito agoniada nos 3 primeiros dias. Nos dois últimos já comecei a me conformar. Tem hora que você enjoa de tanto líquido e quer mastigar. Neste ponto a gelatina ajuda um pouco. 
Os caldinhos, como são bem ralos, se não bem preparados não descem de jeito nenhum. Dão enjôo. A nutricionista já havia me falado que este cinco dias seriam bem difíceis, mas só quando passei por eles tive a real noção.  

A consulta com o anestesista


Eu não sabia que existia encontro prévio com o anestesista, mas quando fui a consulta entendi o motivo.  Ele te faz mil perguntas sobre alergias e doenças, anota tudo em uma guia e te orienta a levar no dia da cirurgia. É um cuidado muito necessário já que cada organismo tem suas debilidades específicas e necessita de atenção específica. 

O anestesista também te explica todo o processo da anestesia, os efeitos, os riscos, tudo. Tem até termo de ciência dos riscos. Perguntei bastante, tirei muitas dúvidas e saí de lá bem ciente de tudo que passaria comigo e de tudo que poderia me passar.

A resposta


9 dias úteis passaram quando recebi a notícia da autorização da cirurgia. Caramba! Minhas pernas tremiam. Agora eu tinha que dar mais dois passos: o primeiro era ligar para a secretária do cirurgia para ela agendar a cirurgia; o segundo era marcar uma consulta com o anestesista (não sei se todos os hospitais pedem este encontro).
Corri para o telefone e liguei para secretária. Mas ela não estaca e eu só poderia falar com ela no dia seguinte. Mas a outra atendente do consultório pediu meus dados e disse que ia passar para ela, e que ela me ligaria no outro dia. E assim foi, no outro dia ela me ligou e me informou a data da cirurgia 20/10/11. Novamente minhas pernas tremeram. 
Perguntei a ela se era necessário providenciar alguma coisa antes da cirurgia e ela informou que eu deveria comprar meias anti trombo e seguir as recomendações da nutricionista. 
Agora era só aguardar o dia, mas o medo começou a me atormentar durante as noites.

Todos os exames e laudos prontos


Com todos os exames e laudos prontos, voltei ao consultório do cirurgião para marcar a data. Como ia realizar a cirurgia por plano de saúde ele me deu todas as guias para eu entregar no setor de autorização de internação do hospital. 

Cheguei e o atendente me pediu todos os exames que fiz, os laudos, as guias dadas pelo médico, minha identidade e a carteirinha do convênio. Tirou cópia de tudo e abriu um processo administrativo para o pedido de autorização da cirurgia. Informou que o prazo médio (do meu convênio) para liberar este tipo de cirurgia era de 15 dias úteis e que quando ele soubesse da autorização me ligaria. Saí de lá com uma ansiedade enorme, 15 dias úteis de espera.

Seriam 15 dias de pura ansiedade, mas ao final, era necessário ter paciência e aguardar.