terça-feira, dezembro 11, 2012

Vai operar? Tire suas dúvidas!

Tomar a decisão de operar é complicado, mexe profundamente com nossas vidas. Mexe com tudo o que você possa imaginar ou não. Com nossos medos, ansiedades, com nossas rotinas, com nossas expectativas, tudo! Por isso, estar consciente é essencial.

Para não ser pego de surpresa pelo lado não tão bonito da cirurgia, eliminar as dúvidas é o melhor caminho. Existem muitos maneiras de fazer isso. Palestras, pesquisas e perguntas. Nas palestras, os cirurgiões de maneira geral, tentam esclarecer os pacientes sobre o procedimento. É uma ótima opção. Nelas, os médicos, explicam como é feita a cirurgia, qual técnica ele usa, fala sobre os riscos, sucessos e
estatísticas. Sempre tem depoimentos de operados e palestras de nutricionistas, psiscólogos e cirurgiões plásticos. Além disso você pode conhecer outros pacientes do seu médico e tirar suas próprias conclusões. Dá até para fazer amizades com pessoas que passaram e estão passando pelo mesmo que você. 

Outro meio muito legal e fácil é a pesquisa na net. A internet tem uma quase infinidade de informações sobre o assunto. Eu recomendo o site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - SBCBM como ponto de partida (a página deles no facebook sempre tem dicas legais, gosto muito SBCBM facebook). Também existem os blogs que contam experiências pessoais e esses são o que eu mais gosto. Só temos sempre tomar cuidado para saber diferenciar o que é uma experiência pessoal das nossas experiências que devem sempre estar sob as recomendações médicas que nos foram passadas. Sabendo diferenciar isso vamos encontrar muita coisa legal nos blogs sobre sobre cirurgia. Histórias que nos emocionam, incentivam, alertam. É muito legal. Olha aí meus "leio sempre e recomendo".

Mas de todas as opções que temos, fazer perguntas a nosso médico/equipe é a que nos traz mais resultados positivos. Agorinha eu estava dando uma olhada no grupo Gastroplastia Brasília DF (lá no facebook) e achei um post super interessante. Uma participante do grupo criou/reuniu várias perguntas para fazermos ao cirurgião/equipe durante o pré operatório. Achei muito bacana a iniciativa dela. As perguntas são super pertinentes e podem realmente nos ajudar muito. A informação é o melhor amigo de quem está pensando em se submeter a cirurgia.

Olha só o questionário dela:

Questionário pré-cirúrgico
01- Qual o real risco de morte antes, durante e depois da cirurgia?
02- Em média, entre exames e consultas, quanto tempo demora até o dia da cirurgia?
03- Quais complicações podem acontecer durante a cirurgia?
04- Quanto tempo, em média, demora a cirurgia?
05- Qual o tipo de anestesia?
06- É necessário UTI em todos os casos?
07- É necessário o uso do dreno? Por quê?
08- Tudo correndo normal, qual o tempo médio de internação?
09- É necessário ter acompanhante no hospital?
10- Quais doenças podem impedir a realização dessa cirurgia?
11- Existe idade limite para que se fala a cirurgia? Existe idade ideal para que se faça a cirurgia?
12- Crianças ou adolescente podem fazer essa cirurgia?
13- É realmente necessário o acompanhamento com o psicólogo e nutricionista antes e após a cirurgia? Por quê?
14- Sempre é necessário fazer uma dieta no pré-operatório? Por quê?
15- A esteatose (gordura o fígado) é um impecílio a cirurgia? Por quê?
16- Todos podem fazer a cirurgia por vídeo? Em quais casos se faz a cirurgia aberta?
17- Um paciente com apnéia precisa de algum tratamento antes de operar?
18- Quando é necessário o uso do respiron?
19- Como se dá o uso de contraceptivos? Interrompe-se o uso antes da cirurgia? Volta-se a uso com quanto tempo depois de operada?
20- Quanto tempo para voltar a ter relações sexuais depois da cirurgia?
21- É possível um aumento de gases logo após a cirurgia?
22 – É normal, em alguns casos, que se tenha náuseas logo após a cirurgia?
23- Como o intestino fica logo após a cirurgia?
24- È possível ter prisão de ventre depois da cirurgia? O que fazer nesse caso?
25- Para quem tem o costume de beber, mesmo que socialmente, quais são os riscos e os resultados da bebida em quem opera?
26- É normal ter o ciclo menstrual completamente alterado pós cirurgia?
27- Mulheres na menopausa perdem peso mais lentamente apesar de operadas?
28- Há uma real queda de cabelo no pós cirúrgico? A partir de quantos meses? A perda é inevitável? Tem como tratar?
29- Qual a necessidade de tomarmos suplementos vitamínicos? Será por toda vida?
30- É necessário tomar proteína por toda a vida?
31- O açúcar e a gordura em maior quantidade podem causar dumping?
32- Ficamos fracos no pós operatório por conta da restrição alimentar?
33- Perdemos todo o excesso de peso que adquirimos em toda nossa vida?
34- Devemos nos pesar obssessivamente todos os dias ou isso pode no causar problemas com a ansiedade?
35- Todos perdem peso igualmente independente das diferentes faixas etárias? A perda é a mesma para os homens e as mulheres?
36- É possível tornar-se depressivo logo após a cirurgia?
37- Há mudanças hormonais que podem causar alterações no humor?
38- A pele fica ressecada? O que devemos fazer?
39- Qual a quantidade ideal de água que devemos ingerir por dia depois de operados?
40 – Depois de operados, qual a frequência para acompanhamento nutricional e psicólogico?
41 – Com quanto tempo de operados podemos voltar a trabalhar? E a dirigir?
42 – Podemos doar sangue depois de operados?
43 – Quanto tempo para podermos voltar a pegar algum peso?
44 – Com quanto tempo podemos viajar para longas distâncias?
45. A cirurgia pode fazer emergir problemas psicólogicos?
46. Existe algum distúrbio psicólogico/psiquiátrico que impeça de maneira efetiva a realização da cirurgia?
47. As pessoas com diagnóstico de Transtorno da Compulsão Alimentar podem fazer a cirurgia? 
47. Com quanto tempo podemos realizar atividade físicas?
48. Como é a gravidez depois que operamos?


Essas são só algumas perguntas que ela sugeriu, cada pessoa vai ter uma dúvida em particular. As dúvidas são quase infinitas. O mais importante é sempre buscar ir eliminando todas as dúvidas que nos incomodam. É fundamental se sentir mais seguro o possível da decisão que vai tomar. 

Mas Raquel, o questionário não tem nenhuma resposta? Mas essa é a intenção. É como a autora disse, quem melhor pode esclarecer essas dúvidas é seu cirurgião, a equipe que te acompanha.
Só eles podem te orientar corretamente. Pergunte! Não fique com vergonha ou deixe para depois. Pergunte sempre, é sua saúde, sua vida.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Missão madrinha de casamento - parte 2

A cerimônia foi muito bonita, eu achei bem diferente das cerimônias que já fui, o padre foi bem específico com os noivos que são bem jovens (20 anos). E vou contar que fiquei muito emocionada quando vi a noiva entrando na igreja. Ela estava linda, sorridente, radiante. A minha emoção se deve ao fato de que ainda acredito no amor, no casamento e chegar a ficar velhinhos juntos e companheiros. Pode ser uma idéia romântica, mas eu acredito sinceramente.  

De tudo só tenho uma reclamação a fazer: na porta da igreja, na hora de entrar, deu uma ventania que acabou com meu penteado, rsrs, que azar! Mas tudo bem...

Passado esses momentos de emoção, chegou a hora da festança. E vou contar, hein, eu dancei muito. Nem sei dançar, mas eu dancei demais. Foi muito gostoso, me diverti muito. Foi muito bom.

Desejo sinceramente felicidade aos noivos. É como o padre disse, que o amor sempre seja maior que todos os problemas.

Agora a foto prometida, vamos ver o que vocês meninas vão dizer, rsrs.(:

65,6kg
120kg



quinta-feira, novembro 22, 2012

Tamanho GG

Minha amiga trabalha em um brechó de um hospital, como voluntária. Certo dia adentrou na loja uma certa "senhora bastante obesa" e logo a minha amiga pensou que não tinha nada na loja, na numeração dela. Sentiu-se apreensiva e constrangida naquela situação, vendo a senhora percorrer as araras em busca de algo que minha amiga sabia que ela não encontraria. Ficou angustiada, porque não queria que a senhora se sentisse mal pelo tamanho das peças de roupas, se sentindo excluída.
 
Naquele momento, minha amiga pediu a Deus que lhe desse sabedoria para conduzir a situação, evitando que a cliente se sentisse humilhada na sua autoestima. Foi quando o esperado aconteceu. A senhora se dirigiu à minha amiga e disse, tristinha:
 
- É..., não tem nada grande, não é?

E a minha amiga, sem até aquele momento saber o que diria, simplesmente abriu os braços de uma ponta a outra e lhe respondeu:

- Quem disse??? Claro que tem!!! Olha só o tamanho desse abraço! E a abraçou com muito carinho.

A senhora, então, se entregou àquele abraço acolhedor e deixou-se tomar pelas lágrimas, exclamando:

- Há quanto tempo que ninguém me dava um abraço!

E, chorando, tal qual uma criança à procura de um colo, lhe disse:

- Não encontrei o que vim buscar, mas encontrei muito mais do que procurava.

E, naquele momento, através dos braços calorosos de minha amiga, Deus afagou a alma daquela criatura, tão carente de amor e de carinho.

Quantas almas não se encontram, também, tão necessitadas de um simples abraço, de uma palavra de carinho, de um gesto de amor.

Será que dentro de nós, se procurarmos no nosso baú, lá nas prateleiras da nossa alma, no estoque do nosso coração, também não acharemos algo grande, que sirva para alguém?
UM ABRAÇO "TAMANHO GG" PARA VOCÊ!

quarta-feira, novembro 14, 2012

Missão madrinha de casamento - parte 1

Minha prima vai casar e me convidou para ser madrinha dela. Nós duas temos uma história legal. Sou 10 anos mais velha, a peguei no colo e tudo, rsrsrs (ééé abafa o caso, rsrs). Bom, como dizia... brincamos muito juntas. Ela foi o bebê mais lindo que conheci até hoje. Tinha uns olhões clarinhos, e um sorriso encantador que derretia qualquer coração, sem contar que ela sempre teve uma alegria contagiante. A danada também era uma espoleta.

Eu cresci, a vi crescer, brilhar como bailarina, se apaixonar, chorar, se superar e se transformar numa linda mulher. Sempre acompanhei de perto sua vida e agora vou a ver se casar e estou realmente feliz em poder participar de mais este momento especial da vida dela, e como madrinha.

Esse convite, para mim, foi duplamente especial, porque foi através dele que pude passar por mais uma nova experiência em minha vida. Eu pude, pela primeira vez em minha vida comprar um vestido que eu escolhi. Eu escolhi um vestido e não ele que me escolheu. É gente, existe isso sim, de você ser escolhido pela roupa e não poder escolher o que te agrada... 

E vou falar hein, foi uma sensação bem diferente. Entrar em várias lojas, experimentar vários vestidos e poder escolher o que realmente o mais me encantou. Na minha formatura eu comprei um vestido, mas foi o que "assentou melhor", não um que eu realmente queria. Nessas últimas semanas, batendo pernas atrás deste vestido eu vivi uma emoção tão comum para a maioria das pessoas, mas uma novidade enorme para mim. 

No final acabei seduzida por um vestido tomara que caia, estilo sereia, rsrs. Achei bem diferente de tudo que já usei até hoje (totalmente diferente). Ainda tentei olhar outros, mas foi paixão a primeira vista. 

Hoje vou deixar a fotinho do meu vestido de formatura. O que vou usar no dia 24 eu posto depois.

Antes de terminar eu queria contar que emagreci mais um quilo. Estou com 67 agora. Fiquei com uma dúvida, quando será que paramos de emagrecer?



terça-feira, novembro 06, 2012

Meta pessoal atingida e...

 Pois é bariamiga(o)s, menos de um mês depois de completar meu primeiro ano de gastro atingi minha meta pessoal. Descobri hoje, agorinha, quando fui comprar meus complementos e medicamentos que estou pesando 68 quilos. Nossa! Fiquei tão feliz. Sinceramente nunca pensei em minha vida ter meu peso na casa dos 60 quilos. Isso me dá muita alegria, mas também me lembra das responsabilidades... 

Vou contar para vocês um "causo" curto, é sobre uma menina que tem o olho maior que a barriga, rsrs. Ontem dei uma extrapolada absurda, a primeira vez desde que operei. Comprei um sanduíche natural, só o sanduíche e era pequeno. Mas não sei o que me deu que mastiguei mal e porcamente e comi rápido demais, sem respeitar o tempo para sentir se estava satisfeita ou não. O caso é que só notei a lambança quando fiquei em pé. Éééééé! O estomago ficou cheio demais, tanto que não estava conseguindo ficar em pé sem sentir um dor horrorosa. Foi a primeira vez que senti isso, e espero que seja a última. Não conseguia caminhar ereta não, só corcundinha. Uma dor danada. Se passou rapidinho? Nada disso! Demorou quase a noite toda.  

Hoje amanheci com meu estômago enjoadíssimo, não consegui comer quase nada. Tadinho, ficou ressentido pela minha falta de respeito de ontem. E vou confessar que no domingo, eu já tinha tido dumping tremendo porque tomei um sundae de caramelo... Ficou bem claro né? Toma jeito, Raquel!  

Pois é, agora na minha lista negra do dumping além do pudim está o sundae de caramelo, rsrs. E na minha lista de "toma vergonha na cara, Raquel" está "NUNCA, JAMAIS se esqueça de comer DEVAGAR e MASTIGAR muito bem".

Pois é gente, fica a dica: não tentem isso em casa, pode ser perigoso, rsrsrs. (:
Falando sério agora: sinceramente, a lição foi aprendida.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Gastroversário - 1 ano




I see skies of blue and clouds of white,
The bright blessed day, The dark sacred night.
And I think to myself,
What a wonderful world.
What A Wonderful World Loading - Louis Armstrong

Parabéns para mim, nessa data querida♪ , rsrs.

Hoje vim para um post especial (apesar de um pouco atrasado, rsrs), para comemorar meu primeiro ano de gastroplastia. Dia 20/10 completou um ano que ganhei uma vida nova. 

Já contei aqui que minha história de obesidade vem desde a infância. Fui uma criança gordinha, uma adolescente e adulta obesa. Poxa, as vezes leio por aí meninas que contam que a cirurgia só as deixaram mais felizes e acho isso tão legal. Eu queria ter sido assim, que nada abalasse minha alegria de viver. Mas eu não era, eu me sentia muito infeliz.  Entreguei os pontos mesmo.

Quando conheci meu cirurgião eu pesava 120 quilos e tinha imc 42 (tenho 1,69m). Meu pré durou um ano e quando operei pesava 115 quilos, com imc 40. Um anos depois da cirurgia tenho imc 24, eliminei 51 quilos. O que mudou na minha vida durante este primeiro ano? Nossa! Tanta coisa...

Não foi só peso que eliminei, não mesmo, eu ganhei muita coisa. Aos pouquinhos vou curando feridas e eliminando traumas, aos pouquinhos estou aprendendo a superar os desafios diários sem me esconder como avestruz, e o melhor de tudo: estou me abrindo para a vida, descobrindo uma alegria em viver.

Apesar dos meus 30 anos vivi muito pouco, quase nada, praticamente só existia. E esse primeiro ano, foi a ano das minhas primeiras vezes.

Primeira vez que comprei uma roupa de tamanho normal numa loja normal;
Primeira vez que escolhi uma roupa e não ela que me escolheu;
Primeira vez que usei um biquini e uma lingerie legal.

Primeira vez que me entrei no ônibus e passei tranquilamente na roleta e ocupei um só assento;
Primeira vez que foi extremamente paquerada;
Primeira vez que não me senti observada ou julgada:
Primeira vez que cruzei as pernas;
Primeira vez que me sentei numa cadeira e plástico tranquilamente;
Primeira vez que entrei numa academia sem me sentir mal;
Primeira vez que me senti simplesmente "normal" (se é que isso existe);
Primeira vez que me olhei de verdade e percebi o quanto precisava cuidar de mim mesma;
Primeira vez que acreditei em mim, que podia e posso superar as coisas com paciência e fé;
Primeira vez que me amei, me senti bonita.

Esse foi meu ano de descobertas, de superação, de dar os primeiros passos numa vida nova. Se foi fácil? Não. Se minha vida virou um mar de rosas? Não. Se não tenho mais problemas? Tenho, muitos. Quem não os tem? Mas o mais importante é a maneira como enfrento as coisas hoje. E isso eu consegui por meio de um instrumento chamado gastroplastia. Com a ajuda da psicóloga, da nutricionista. Cada pessoa consegue se superar de uma maneira, eu consegui assim. Não faço apologia a cirurgia com minhas palavras, só digo que foi através deste instrumento que ganhei uma vida nova. 

Não é novidade para ninguém que tudo na vida tem um preço, com a cirurgia não é diferente. Mas no meu balanço final eu acho que o preço foi muito válido. Ganhei mais, muito mais. Sei que esse foi só o primeiro passo, que a cirurgia não faz milagres, ela é só um instrumento, e que a partir de agora dependerá só de mim utilizar, da melhor maneira possível, as ferramentas já me foram dadas.

Para você que enfrenta problemas parecidos eu digo: Você não precisa ser igual a ninguém, você não precisa viver padrões impostos, mas nunca desista de você. Ame-se, cuide-se e se dê uma oportunidade de mudar o que te faz sofrer. Lute! O caminho você escolhe, são muitos.

Agradeço à Deus por esse ano tão maravilhoso, cheio de desafios, alegrias e conquistas.

 

quinta-feira, setembro 20, 2012

Dúvida

 Menina(o)s,

cheguei aos 69kg. Agora só falta 1 quilinho para alcançar minha meta pessoal. Mês que vem completo 1 ano e já vou conversar (sério) com o cirurgião sobre as plásticas. Da última vez que tentei falar sobre o assunto, levei um redondíssimo não. Acho que foi porque só tinha 9 meses, rsrs. Não sei muito bem como essa coisa de plástica reparadora é, mas quando souber eu conto aqui.

Mas este post é para falar sobre outra coisa.  Estou passando por uma fase um pouco estranha. Além de muitas pessoas não me reconhecerem (sem exagero), agora, as pessoas também dizem que estou magra demais. Os familiares mais íntimos me enchem o saco me chamando de puro osso (não falam sério, só falam para me chatear mesmo). Coisa mais doida, como vamos de um extremo ao outro assim? Antes eu era a rolha de poço, agora sou a puro osso. Vai entender as pessoas...

Mas tem pessoas que não falam brincando não, falam sério, já escutei até que estou anoréxica. Na realidade as opiniões não me incomodam não, o que me deixou sismada é o fato que me olho no espelho e me vejo gordinha ainda.  Será que isso é normal?

Fiquei pensando sobre o assunto, e fui observar meu comportamento,  minha alimentação. Percebi que me alimento normalmente, salvo os dias que me esqueço de comer ou me sinto muito agoniada. Mas isso não é rotina não, só acontece as vezes, acho que todo mundo tem esses dias. De maneira geral, se tenho vontade de comer algo eu como, só não abuso. 

Mas fiquei pensando no espelho... É claro que percebi que emagreci um pouco, mas porque será que me olho e me vejo gordinha? Estranho.

terça-feira, setembro 11, 2012

Crônica de um amor perdido


Ela estava cansada de escutar de seus amigos que deveria seguir em frente. Não que esse carinhoso conselho lhe aborrecesse, ela sabia bem que não lhe restava outra opção. Todas as promessas e sonhos agora eram só dolorosas lembranças que ela evitava avivar.

Mas as lembranças pareciam ter vida própria e mesmo sem serem convidadas, vez ou outra vinham visitá-la. Inconvenientes, só iam embora depois de arrancar doloridas lágrimas de saudades. O amor é complicado, ela suspirava enquanto lavava o rosto para que ninguém notasse que havia chorado novamente. 

E mesmo com todo cuidado para disfarçar a dor que levava em seu coração, as lágrimas deixavam uma marca em seu olhar, refletiam a tristeza que lhe tomava a alma e novamente ela voltava a escutar que devia seguir em frente.

Tentar seguir em frente... Estas palavras lhe pareciam muito razoavéis. Seria de razão que ela necessitava naquele momento? Ela que sempre usara mais o coração pensou que talvez devesse usar mais a razão. Colocou a armadura da razão e tentou não sentir, não pensar, só esquecer e apagar. Mas quem escreveu que o coração não entende de razão sabia bem o que estava afirmando.

A razão foi massacrada pelo peso dos sentimentos que ainda estavam vivos em seu coração e ela percebeu que lutar com sentimentos definitivamente é uma batalha perdida. Mas alimentar aquilo que nunca será tampouco lhe ajudaria muito. O que fazer? Se lembrou então, que em casos de dores de amor, os sábios costumam afirmar que o tempo tem o poder de curar tudo. Seria isso verdade? Sem outra opção, ela decidiu simplesmente se entregar, deixar suas dores nas mãos do tempo.

 Agora suas preces se dirigiam ao tempo. Tempo, tempo, tempo...

Enquanto ela esperava a resposta do tempo, ela pode vivenciar bem as suas duas faces. Lembrou-se de quando estavam juntos, da felicidade que sentia, nesses momentos o tempo parecia sempre passar rápido demais. Mas agora, o tempo parecia se arrastar tão vagarosamente que ela tinha a impressão que suas feridas nunca cicatrizariam. Por que  será que o tempo agia assim?
 
O tempo as vezes se assemelha a um grande arquivo. As coisas boas que vivemos ele arquiva num gaveta próxima ao coração. Nelas temos um acesso fácil a tudo que nos faz bem, e são essas recordações que nos amparam e nos dão força em nossos momentos mais difíceis. As más experiências ele guarda numa gavetinha mais lá no fundinho, mas nunca tão fundo a ponto de nos esquecermos das experiências adquiridas.
 

As vezes ele pode parecer ser muito lento, mas é que só assim ele pode fazer seu trabalho direitinho. Curando e deixando tudo exatamente aonde deve estar.

Qualquer semelhança entre esta crônica e a realidade da autora é mera coincidência. (:





sábado, setembro 08, 2012

Quando contar?

Em relação a cirurgia, depois de operados passamos por duas fases: a primeira é a da novidade. Nessa fase adoramos comentar o tema com todo momento, é a empolgação de estarmos vivendo mudanças boas, mudanças que nos libertam de tantas coisas ruins e transformam literalmente nossas vidas. Essa fase é muito gostosa porque é cheia de descobertas e experiências boas (ou nem tanto) e aprendizado.

A segunda fase acontece após um certo tempo de cirurgia, é quando nos acostumamos a essa nova situação de operados, a nova dieta, a um novo ritmo de vida, então nossa vida passa a ser mais normal.

Não estou dizendo com isso que nos esquecemos que somos operados, não é nada disso (eu não esqueci que sou operada).  Vou até arriscar a contar como me sinto em relação a isso: eu não me sinto magra,me sinto gordinha em eterno tratamento.

Mas continuando... Com tantas mudanças, não é incomum a chegada de novas pessoas em nossas vidas. E então, as vezes, você é pego em algumas situações em que você não sabe exatamente como agir.

Outro dia eu estava numa lanchonete com uma pessoa que conheci há pouco tempo, conversando tranquilamente, quando chegou um conhecido e do nada começou a falar: " - Oi, Raquel! Nossa! Você emagreceu muito. Quanto mais você emagrece mais... blá blá blá".

O caso é que como fazia pouco tempo que conhecia a pessoa, não havia contado ainda, não achei que fosse tão urgente contar, a idéia era falar em outro momento. Mas depois da "ajudinha" que tive só me restou contar ali mesmo, naquele momento.

Sinceramente eu não tenho problemas em falar sobre o tema, não tenho vergonha, nem  nada disso. Todo mundo que me conhece sabe que operei e não me incomoda conversar sobre isso, ao contrário. Só que aquele era o primeiro encontro e para mim, não era o momento de falar sobre o tema, eu teria outras oportunidades para contar, tudo tem seu tempo. Eu acredito que eu sou a Raquel operada, mas antes de ser operada eu sou só a Raquel. E a Raquel gosta de conhecer e ser conhecida aos pouquinhos, rsrs.

Mas essas situações não acabam aí não. Além de você correr o risco de outra pessoa contar antes de você, acontecem outras situações com novos colegas de trabalho, estudo ou novos conhecidos. Se você não conta, eles ficam reparando a quantidade de comida que você serve em seu prato ou ficam olhando torto, te achando uma obsessiva por magreza, quando dizemos não para alguma coisa que não nos cai bem (um doce, uma bebida, etc). 
Por outro lado se contamos e não conhecemos muito bem a pessoa temos que estar preparados para todo tipo de afirmações, perguntas ou exclamações. O problema é que nem sempre sabemos lidar bem com pessoas inconvenientes.

Bariamiga(o)s, me digam uma coisa: Quando vocês tocam no tema? Para quem vocês falam? Como é que vocês lidam isso? Vocês são mais tranquilas que a criatura aqui?

segunda-feira, setembro 03, 2012

Quando entrar setembro



Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor, só nos resta aprender
Sol de primavera - Beto Guedes

Setembro chegou. Este é um mês muito querido por muitas pessoas, inclusive por mim. Acredito que grande parte deste carinho se deve ao fato que setembro traz consigo a primavera.

É nesta época que tudo que estava dormindo na natureza desperta com a majestosa força da vida. Em Brasília, aos poucos os ipês, de todas as cores, irão florescer e enfeitar toda a cidade, deixando-a com um charme todo especial, desses que enchem os olhos e o coração.  E nas tardes, já quase a noitinha, as chuvas virão avisar, com sua suave carícia, à natureza que chegou novamente o momento de despertar para um novo ciclo de nascimentos.

É uma sensação inigualável poder observar essa sinfonia de vida. A primavera tem um encanto especial, cheia de exuberante beleza e de alegria, ela nós ensina que é o momento de reflorescer. É no meio de tanta magia que, aos pouquinhos, passamos a olhar para nós mesmo e então percebemos que devemos reflorescer também, deixar nascer o que é bom e o que nos faz bem. 

Setembro chega assim, cheio de vida, nos mostrando que devemos deixar a primavera acontecer em nossos corações também pois o inverno acabou.

quarta-feira, agosto 22, 2012

A balança: Inimiga ou aliada?


Antes da cirurgia eu raramente me pesava, a maioria das vezes só acontecia quando ia ao médico.Imaginem minha cara de paisagem nesses momentos... Não gostava de me pesar porque sempre sentia uma sensação terrível de decepção comigo mesma. Balanças eram minhas inimigas, me geravam uma incrível angústia porque me faziam encarar a realidade. E encarar a realidade, para quem finge que não está ligando mas liga sim, pode ser bastante doloroso.

Depois da cirurgia comecei a me pesar de maneira mais frequente para acompanhar e evolução da perda de peso. E é uma sensação muito boa acompanhar os quilinhos indo aos pouquinhos embora, ver cada pequena vitória é uma alegria, e é nessa fase que começamos a fazer as pazes com a balança. Começamos a gostar da danada.

Com 10 meses de operada e faltando 2 quilos para atingir minha meta pessoal eu percebi que o foco da minha preocupação ao me pesar mudou. A maior preocupação agora é ver o meu peso estabilizado. É claro que se eu eliminar este dois últimos quilinhos vou ficar muito feliz, mas hoje a preocupação é não voltar a engordar.

Minha relação hoje em dia com a balança é  de me pesar uma vez por semana. Acredito que como tenho problemas com o peso e me submeti a uma cirurgia para emagrecer (que não faz milagres) tenho sempre que me vigiar. Estou parecendo uma louca falando assim?

É que antes eu não queria enxergar a situação e acabei chegando aonde cheguei, então, agora sinto que tenho que sempre "estar de olho". Acredito que agora utilizo a balança mais ou menos como um "termômetro" da minha dieta. Se aumentar uns quilinhos será um alerta para ver aonde estou errando, aonde estou abusando e também para frear a situação e não deixar a coisa ficar fora do controle.

Antes eu olhava meio torto para as pessoas que tinham essa preocupação, hoje dou razão a elas. Não quero mais viver alienada do meu próprio corpo, quero me cuidar, mas sem obsessão. As vezes me pergunto: qual é a linha tênue que separa o que é normal do que é obsessivo?  Quem se pesa todos os dias é menos normal do que a pessoa que se pesa uma vez ao mês? Isso pode ser avaliado de maneira objetiva ou só subjetivamente? Porque só quem passa ou passou por problemas assim sabe como é complicada esta questão.

Quero ter a balança como uma aliada, não quero ser sua escrava. Mas esse ponto de equilíbrio é difícil de ser encontrado. Será que depois de tantos conflitos com o meu peso eu poderei algum dia encontrar esse ponto de equilíbrio? A verdade é que ainda não encontrei.



sexta-feira, agosto 10, 2012

Páginas da vida

Oi bariamiga(o)s!

Como vocês estão? Estou com saudades do meu blog, de acompanhar a história de vocês, e também de sentir esta sensação de que não estou sozinha nesta luta.

Faz um tempão que não escrevo por aqui...  É que atravessei dias bem difíceis...  Eu tive que tratar a anemia que estava, digamos, complicada e tive, ao mesmo tempo, que administrar o termino de uma relação de quase dois anos... Acho que juntou uma coisa com a outra e eu "arriei" um pouco (ou um poucão, rsrsrs).

Curar a anemia não foi meu maior problema, pois só precisei passar algumas tardes no hospital tomando noripurum, levar algumas injeções de vitamina b12 e tomar uns remedinhos em casa. Meu real problema era curar meu coração que estava dolorido. É que não dá para comprar remédio para isso, né? Então eu só podia contar com o tempo... Nestes dias que me sentia tão alfita fui para a chácara, fiquei por lá por 15 dias, lá não dá para se comunicar nem através de sinal de fumaça, rsrsrsrs. Senti que esses dias me ajudaram muito, mas decididamente não haviam solucionado meu problema.

Quando cheguei em casa eu me sentia tão deprê que não me ocorria escrever nada porque tudo que eu escrevesse seria muito baixo-astral. E assim os dias foram passando...

Agora minha saúde está bem, já não sinto tontura, nem cansaço, nem mais nenhum mal estar que sentia antes. Meu coraçãozinho também está bem, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.

Para atualizar deixo uma fotinho comparativa, rsrsrs. 

Mês passado emagreci mais 1,5kg e agora estou com 72 quilos.



Branca, 
Obrigada pelo carinho. (:



Raquel




sábado, junho 30, 2012

Antes e depois - 8 meses

Oi bariamiga(o)s!

Passei rapidinho para deixar um novo antes e depois em comemoração aos 8 meses e aos 42 quilos eliminados. Aproveito para contar que durante a semana fiz a endoscopia e os exames de sangue e estou só esperando o resultado da biopsia e de 1 exame (zinco serico - o que é isso? rsrsrs) para voltar ao médico. Saí da endoscopia tão dopada que nem me lembro de nada de nada. O que achei estranho é que desta vez passei o dia todo dopada também, lennnnnnnta, só melhorei no outro dia, rsrs. Espero que o resultado saia logo para que algo possa ser feito porque a cada dia me sinto mais tonta e estou começando a sentir sonolência e fraqueza.  Desculpe por não ter visitado o cantinho de vocês, vou começar a fazer isso agora e é claro com todo carinho. 



sábado, junho 23, 2012

Anemia pós gastroplastia, será?

Hoje de manhã fui visitar o meu cirurgião. Dia 20 completei 8 meses de operada e esta consulta já estava programada. Ele me parabenizou pela evolução da perda de peso, disse que só esperava que eu estivesse com o peso atual só em agosto ou setembro. Disse que a meta de perda de peso esperada pela cirurgia já fui superada. Ficou agora só a minha meta pessoal e essa eu vou trabalhar com minha nutricionista.

Eu aproveitei para contar coisas que estão acontecendo e me chateando. Ultimamente tenho sido acordada por dores no estômago. Também tenho sentido muita tontura. Me sinto tonta  em pé, sentada, deitada e esta sensação ruim acontece várias vezes ao dia. 

Então ele me examinou e me disse que parece que tem uma anemia por aí. Para ver como tudo anda pediu vários exames. Para verificar o motivo das dores no estômago pediu uma endoscopia.

Se não estou me cuidando? Sim, me cuido. Como direitinho, frutas, carne, verduras, tomo os complementos vitamínicos. No que vacilo as vezes é na ingestão de água, mas com até detalhe ando mais atenta.

Então, farei os exames de sangue na segunda e na terça a endoscopia. Quando eu souber exatamente o que está acontecendo eu volto para contar, isso deve levar uns 10 dias.

Antes de terminar o post eu gostaria de falar das festas juninas. Que delícia esta época né gente? Eu adoro. Para mim, tudo é maravilhoso: o friozinho, a música, as brincadeiras, a dança, a comida, a fogueira. No início do mês eu fui numa bem legal, tinha até quadrinha profissional. Fiquei encantada. Vocês gostam? Já foram em alguma este mês?
 

segunda-feira, junho 11, 2012

E nesse feriadão

Eu
Olá! Faz um tempão que não escrevo nada por aqui né? Branca, obrigada pela preocupação, fiquei muito contente com seu carinho, meu coração ficou muito feliz, viu. Então, eu fui viajar neste feriadão, fui visitar minha mãezinha, pois fazia um tempão que eu não a via e foi bem gostoso. Revi meu gatinho (o pimenta) que foi morar na chácara porque estava passando as madrugadas fora de casa e e eu fiquei com medo dele morrer. Ele está super bem, se adaptou e me pareceu bastante feliz. O que achei muito legal é que ele não esqueceu de mim e eu fiquei toda boba com isso. 

Pimenta
Também vi uma cena que me encantou lá. Minha mãe tem um papagaio que já bem velhinho, tem uns 26 anos. Então, ele fica solto lá chácara, nenhum outro animal encrenca com ele. De manhãzinha eu o vi tomando banho na bica. Feliz demais o bichinho. Cena mais linda. Fiquei encantada. 

Lourival
Já contei para vocês que tenho um cachorrinho? Ele se chama Nico. Eu levei ele também, parece que ele adorou o passeio. Ficou cheio de carrapixo de correr no mato, rsrsrs, pobrezinho. A primeira coisa que fez quando chegou hoje em casa foi ir para o banho.

Nico (já sem os carrapixos)
Aproveitei bastante estes quatro dias. Dormi, li, curti minha mãe, meus sobrinhos, meus bichinhos e a natureza. E voltei mais tranquila e também com uma novidade: estou usando tam. 42. Nossa, é tão estranho, nem parece. Descobri isso por acaso.

E vocês, como passaram o feriado? Espero que todas tenham passado super bem. Agora vou começar a visitar o cantinho de vocês. Um beijinho bem carinhoso.

domingo, maio 27, 2012

Depois de operada criei coragem para (1)

Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar


Desde o momento que recebi o convite uma ansiedade crescente nasceu em mim.  Na cabeça uma dúvida começou a me perseguir. "- Eu a encontraria lá?" Inquieta, me sentindo uma criancinha liguei para minha amiga e perguntei: - Você acha que ela vai estar lá? Ela achando graça da minha infantil ansiedade respondeu: - Acho que sim.

Meu coração estava torcendo para que ela realmente estivesse lá. Foi com essa inquietudade  no coração que tive a sensação que as semanas passavam lentamente. A expectativa era enorme e quando finalmente chegou o grande dia acordei sobressaltada. Meu primeiro pensamento foi: "- É hoje." A pergunta que não me deixara nas últimas semanas voltou com mais força: "- Ela estaria lá?"

O dia transcorreu de maneira tranquila mas entre uma atividade e outra eu sempre me surpreendia pensando nela. Quando, por fim a noite desceu e o tão esperado momento chegou, meus olhinhos ansiosos a encontraram quase instantaneamente. Vibrantes de alegria os observavam encantados.  E lá estava ela, o tão esperado momento havia chegado, e o melhor de tudo era que dessa vez seria diferente.

Eu já tivera muitas oportunidades, em  outras diversas ocasiões, de realizar este sonho. Mas  estranhamente, sempre a observava a distância, sempre deixando a oportunidade passar.  Mas aquele dia seria diferente, seria o dia que finalmente deixaria de lado toda a timidez ou acanhamento, escutaria meu coração.

Dominando um pouco  a ansiedade fui cumprimentar os anfitriões, conversar com minhas amigas e aproveitar a festinha.

Não tive que esperar muito até que meu momento chegasse, e mesmo me sentindo um pouco envergonhada estava decidida, tirei meus sapatos e subi. Com o rosto afogueado e o coração batendo a mil, tomei impulso e dei primeiro pulo. Fechei os olhos e instantaneamente voltei a ser criança. Por alguns segundos a memória se abriu e como num filme revivi minha infância, com suas brincadeiras, seus sabores, seus cheiros, suas canções e sua alegria. Empolgada e sem pensar em nada mais eu pulei e pulei. Pulei tudo o que não pulei todos estes anos. Pulei até ficar esbaforida e contentíssima desci da cama elástica. 

Com o coração leve e cheio alegria pude perceber o quanto fora boba, o tempo perdido não volta jamais. Mas naquele momento eu não queria pensar nisso, só queria agradecer à Deus pela minha vida, por aquele momento tão alegre e também por ter me dado a oportunidade de recomeçar. Olhei para minhas amigas que riam de minha loucura e ri também. Com 30 anos realizei o sonho de pular numa cama elástica. Infantil? Talvez sim, mas também gostoso demais.
  

sábado, maio 19, 2012

Mais além

Amanhã completo 7 meses de gastro. Tanta coisa mudou nestes meses, muita mesmo...  Nem tudo são flores neste caminho e quem é operado sabe bem disso.  Mas o que é indiscutível é que temos muitos motivos para comemorar, principalmente porque cada conquista tem um significado muito especial e sempre reflete de alguma maneira em nossas vidas.

Para mim, é incrível e espantoso ver meu corpo se transformar tão radicalmente, e é mais estranho ainda perceber que por isso, de alguma maneira minha vida se transforma também. Afinal é só um corpo... ou não?

Você muda o seu corpo e de repente as coisas mudam, você simplesmente deixa de ser invisível até para você mesmo. É um pouco assustador perceber isso. A pergunta que me faço é: "Será que eu carregava uma nuvenzinha negra que se desfez e por isso as pessoas decidiram se aproximar? Ou simplesmente fui eu quem decidi que não queria mais ser invisível?"

Algumas pessoas mudaram a maneira como me tratam. Pessoas que conheço há muito tempo e que eram indiferentes agora parecem mais atenciosas, amavéis e amigavéis.  Este tipo de situação me incomoda e na verdade eu ainda nem sei como devo agir. Nestas situações as perguntas sempre voltam a minha mente: "Sou eu quem mudou e agora deixo as pessoas se aproximarem ou as são as pessoas que se aproximaram pela mudança?"
 
Não sei se acontece com todos, mas aprendi, por sentir na minha própria pele, a  enxergar nas pessoas muito além de suas aparências. Talvez por sentir uma extrema necessidade de que as pessoas me enxergassem assim também. Queria que elas olhassem mais além do meu corpo e que se dessem a oportunidade de me conhecer.

Mas a realidade é que poucas vezes isso passou e confesso que não soube administrar bem a situação. Não soube superar estas coisas, não soube me valorizar e acabei realmente me deprimindo. Não é de se espantar que pouco me olhavam como eu era, afinal, nem eu fazia isso.

Mas como sempre existe em nossas vidas, existiam pessoas que me enxergavam e valorizavam  pelo o que eu era e não pelo que aparentava. Pessoas que me amaram quando nem eu me amava e me aceitavam mesmo com minha nuvenzinha negra.

Hoje mais que do que nunca eu quero sentir as pessoas pelo o que elas são e que elas me sintam de maneira igual. Acredito que nada nesta vida passa por acaso e sou grata a vida por ter aprendido isso, ver mais além.

Antes de terminar eu gostaria de contar para vocês que desde a cirurgia eliminei 39 quilos e que atualmente estou pesando 76 quilos. Olha o tamanho do sorrisão, rsrsrs. Também quero dizer que é bom demais poder dividir estas coisinhas com vocês que são sempre muito queridas comigo. Escrever minhas inquietações me dá a sensação de que elas não são tão pesadas assim, e contar as alegrias me dá a certeza que é uma alegria compartilhada e que ela fica bem maior.

P.S. Vou providenciar uma fotinho atualizada para vocês verem a figura, rsrsrs.

sexta-feira, maio 11, 2012

Gordinho simpatico, magro antipático


"- Fulano(a) era um(a) gordinho(a) tão simpático(a), agora que emagreceu ficou antipático(a)".

Vocês já escutaram este tipo de comentário alguma vez? Eu escutei várias vezes. O comentário era que eu mudaria muuuuuuuuito e que ficaria antipática e metida depois de emagrecer alguns quilos. Também me diziam que ia abandonar meu namorado e amigas. Que loucura! Eu só queria emagrecer, não queria me transformar em outra pessoa.

Agora que já emagreci um pouco eu tenho que desabafar, realmente mudei.  Tirei um fardo que pesava demais no meu coração. Deixei muitas neuras para trás (não todas) e hoje sinto que vivo as coisas de maneira muito mais espontânea, mais despreocupada e na verdade sinto que sou uma pessoa mais simpática agora.

É que quando olho para trás eu vejo uma pessoa cheia de nhé nhé nhé, sempre preocupada com tudo, encanada (porque a roupa não ficava legal ou porque não queria comer em público, ou com medo de me sentar a cadeira quebrar),  preocupada com o que as pessoas estavam pensando sobre meu peso, uma pessoa quase sempre pessimista e baixo astral.

Me olho agora e me vejo mais tranquila e acredito que apesar de ter mudado em alguns aspectos, no geral, continuo a mesma Raquel de sempre, só que numa versão menos aflita. Sinceramente, não sei se o fato de emagrecer pode mudar a essência de uma pessoa.

Acredito que algumas mudanças realmente acontecem, já que alguns medos vão embora e começamos a aprender mais sobre nós mesmo, sobre o que nos faz mal e o que nos faz bem. Mas mudar o que somos não.

Poucas pessoas próximas a mim são operadas ou emagreceram muito, só três no total. Tem meu irmão e uma prima, que continuaram basicamente iguais. E tem também um amigo muito querido que era super gordinho e que aperantemente não era encanado com peso. O cara era a alma e o centro das atenções em qualquer festa ou reunião. Bem humorado, inteligente, agradável e só para encurtar a lista das milhares de qualidades dele, um músico excepcional. Como estava bastante gordinho (180 quilos) e com muitos problemas de saúde,  optou pela cirurgia. Para resumir, emagreceu e ficou mais sério. Agora é taxado de antipático. Será que ele realmente ficou antipático? Ainda é o mesmo cara doce de sempre, só que mais sério. 

Por que será que as pessoas nos pré-julgam assim? Eu ainda não entendi a lógica da coisa, qual a relação entre emagrecer e se transformar num trambolho megalomaníaco? O fato de emagrecer significa que você está condenado a se transformar numa pessoa pior? Sei lá, me incomoda escutar isso, que vou me transformar num projeto de alma sebosa só porque vou perder peso. Acho isso muito preconceituoso e estúpido. Eu sou mais que isso. Emagrecer ou engordar não torna uma pessoa boa ou má, ninguém é um anjo de bondade porque é gordo, nem é ruim porque é magro.

E só para constar, eu ainda tenho os mesmos sonhos, as mesmas amigas, amo o mesmo homem e definitivamente me acho muito mais simpática hoje.
:P

terça-feira, maio 08, 2012

Crônica de uma calcinha

Bariamigas,

desculpe a crise de loucura, sei que o tema é... diferente, rsrsrs, mas, vocês já conseguiram renovar o arsenal de roupas íntimas? Então, aos poucos consegui dar uma renovada básica no meu. Hoje uso uns sutiãs mais bonitos e delicados e umas calcinhas diferentes. O caso é que recentemente eu comprei uma calcinha que até então eu nunca imaginei que usaria... rsrsrs. Na verdade antes eu só usava calçolões enormes, daquele jeito, rsrsrs. Um tempo depois da cirurgia passei a usar o meio termo, uma calcinha digamos... normal. Mas o fato é que há uns dias atrás eu estava numa loja e vi uma... tanguinha. Olhei para a danada e achei ela bem bonita e sexy. rsrs Fiquei lá olhando e pensando se comprava ou não e no final das contas comprei.

Em casa fui provar a bendita e tive uma crise de riso. Sei lá, sempre fui gordinha e nunca, nunca, nunca tinha experimentado algo parecido. Fiquei com uma sensação que faltava bastante pano nela, rsrsrs. Mas depois, olhando no espelho,  senti uma sensação diferente, não sei explicar, gostei do que vi, mesmo com meus quilinhos a mais e umas pelanquinhas por aí.
Tá bom Raquel, vc comprou uma tanguinha, e daí? Daí que eu sou boba e isso é uma novidade para mim que sempre usei calçolas e estou descobrindo uma Raquel femme fatale, rsrsrs. Também fiquei pensando que talvez eu esteja começando a fazer as pazes comigo mesma, que estou aprendendo a me amar.

Por fim, minha mente fértil ficou se perguntando se tem alguma alma neste mundo que passou por algo parecido. Aqui (no blog) eu já descobri que muitas meninas passam por coisas parecidas, quem sabe eu não sou tão estranha assim, quem sabe não existem mais meninas como eu.

quinta-feira, maio 03, 2012

Me sinto melhor (:

 Pra que chorar sua magoa?
Se afogando em agonia
Contra tempestade em copo d'água
Dance o xote da alegria
Bariamigas,

Antes de tudo gostaria de dizer, OBRIGADA. Agradeço a todos recadinhos de apoio e carinho que recebi de vocês, me senti muito acarinhada. De verdade, de todo coração, OBRIGADA!

Hoje não vim falar de tristezas, chega de tristeza. Vim aqui contar para vocês que a tempestade passou, a tristeza foi embora e me sinto bem. Estou superando a dificuldade de comer. Ontem a noite consegui comer uma saladinha e hoje pela manhã tomei café direitinho e depois consegui almoçar, não me senti mal. Mas acho que meu organismo se ressentiu dos últimos dias e acabei ficando resfriada. Amanheci sentindo os sintomas da chatíssima gripe.

Também vim contar que... hoje começam as aulas de dança na academia e isso me animou de verdade. Quero muito aprender a dançar. Se eu não sei dançar? Hummm, deixa eu contar um segredo para vocês: só sei dançar se eu conduzir o parceiro. Vê se pode? rsrsrsrs. Eu que tenho que ser o "homem" senão nada feito, não consigo dançar. rsrsrs. Considerando esta situação vergonhosa vou fazer as aulas e estou super animada. As primeiras aulas serão de forró. Estou bastante animada, acredito que estas aulas serão risadas garantidas para mim. Quem sabe depois de aprender a dançar eu não comece as aulas de zouk (Eita lelê! Sonhar não custa nada, rsrsrs).

Também quero aprender a dançar direitinho porque quero dançar uma noite todinha com uma pessoinha muito especial que prometeu me ensinar a dançar salsa... (:

Depois volto para contar como foi a aula e outras coisinhas mais. Um abraço em todas vocês.