domingo, maio 27, 2012

Depois de operada criei coragem para (1)

Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar


Desde o momento que recebi o convite uma ansiedade crescente nasceu em mim.  Na cabeça uma dúvida começou a me perseguir. "- Eu a encontraria lá?" Inquieta, me sentindo uma criancinha liguei para minha amiga e perguntei: - Você acha que ela vai estar lá? Ela achando graça da minha infantil ansiedade respondeu: - Acho que sim.

Meu coração estava torcendo para que ela realmente estivesse lá. Foi com essa inquietudade  no coração que tive a sensação que as semanas passavam lentamente. A expectativa era enorme e quando finalmente chegou o grande dia acordei sobressaltada. Meu primeiro pensamento foi: "- É hoje." A pergunta que não me deixara nas últimas semanas voltou com mais força: "- Ela estaria lá?"

O dia transcorreu de maneira tranquila mas entre uma atividade e outra eu sempre me surpreendia pensando nela. Quando, por fim a noite desceu e o tão esperado momento chegou, meus olhinhos ansiosos a encontraram quase instantaneamente. Vibrantes de alegria os observavam encantados.  E lá estava ela, o tão esperado momento havia chegado, e o melhor de tudo era que dessa vez seria diferente.

Eu já tivera muitas oportunidades, em  outras diversas ocasiões, de realizar este sonho. Mas  estranhamente, sempre a observava a distância, sempre deixando a oportunidade passar.  Mas aquele dia seria diferente, seria o dia que finalmente deixaria de lado toda a timidez ou acanhamento, escutaria meu coração.

Dominando um pouco  a ansiedade fui cumprimentar os anfitriões, conversar com minhas amigas e aproveitar a festinha.

Não tive que esperar muito até que meu momento chegasse, e mesmo me sentindo um pouco envergonhada estava decidida, tirei meus sapatos e subi. Com o rosto afogueado e o coração batendo a mil, tomei impulso e dei primeiro pulo. Fechei os olhos e instantaneamente voltei a ser criança. Por alguns segundos a memória se abriu e como num filme revivi minha infância, com suas brincadeiras, seus sabores, seus cheiros, suas canções e sua alegria. Empolgada e sem pensar em nada mais eu pulei e pulei. Pulei tudo o que não pulei todos estes anos. Pulei até ficar esbaforida e contentíssima desci da cama elástica. 

Com o coração leve e cheio alegria pude perceber o quanto fora boba, o tempo perdido não volta jamais. Mas naquele momento eu não queria pensar nisso, só queria agradecer à Deus pela minha vida, por aquele momento tão alegre e também por ter me dado a oportunidade de recomeçar. Olhei para minhas amigas que riam de minha loucura e ri também. Com 30 anos realizei o sonho de pular numa cama elástica. Infantil? Talvez sim, mas também gostoso demais.
  

sábado, maio 19, 2012

Mais além

Amanhã completo 7 meses de gastro. Tanta coisa mudou nestes meses, muita mesmo...  Nem tudo são flores neste caminho e quem é operado sabe bem disso.  Mas o que é indiscutível é que temos muitos motivos para comemorar, principalmente porque cada conquista tem um significado muito especial e sempre reflete de alguma maneira em nossas vidas.

Para mim, é incrível e espantoso ver meu corpo se transformar tão radicalmente, e é mais estranho ainda perceber que por isso, de alguma maneira minha vida se transforma também. Afinal é só um corpo... ou não?

Você muda o seu corpo e de repente as coisas mudam, você simplesmente deixa de ser invisível até para você mesmo. É um pouco assustador perceber isso. A pergunta que me faço é: "Será que eu carregava uma nuvenzinha negra que se desfez e por isso as pessoas decidiram se aproximar? Ou simplesmente fui eu quem decidi que não queria mais ser invisível?"

Algumas pessoas mudaram a maneira como me tratam. Pessoas que conheço há muito tempo e que eram indiferentes agora parecem mais atenciosas, amavéis e amigavéis.  Este tipo de situação me incomoda e na verdade eu ainda nem sei como devo agir. Nestas situações as perguntas sempre voltam a minha mente: "Sou eu quem mudou e agora deixo as pessoas se aproximarem ou as são as pessoas que se aproximaram pela mudança?"
 
Não sei se acontece com todos, mas aprendi, por sentir na minha própria pele, a  enxergar nas pessoas muito além de suas aparências. Talvez por sentir uma extrema necessidade de que as pessoas me enxergassem assim também. Queria que elas olhassem mais além do meu corpo e que se dessem a oportunidade de me conhecer.

Mas a realidade é que poucas vezes isso passou e confesso que não soube administrar bem a situação. Não soube superar estas coisas, não soube me valorizar e acabei realmente me deprimindo. Não é de se espantar que pouco me olhavam como eu era, afinal, nem eu fazia isso.

Mas como sempre existe em nossas vidas, existiam pessoas que me enxergavam e valorizavam  pelo o que eu era e não pelo que aparentava. Pessoas que me amaram quando nem eu me amava e me aceitavam mesmo com minha nuvenzinha negra.

Hoje mais que do que nunca eu quero sentir as pessoas pelo o que elas são e que elas me sintam de maneira igual. Acredito que nada nesta vida passa por acaso e sou grata a vida por ter aprendido isso, ver mais além.

Antes de terminar eu gostaria de contar para vocês que desde a cirurgia eliminei 39 quilos e que atualmente estou pesando 76 quilos. Olha o tamanho do sorrisão, rsrsrs. Também quero dizer que é bom demais poder dividir estas coisinhas com vocês que são sempre muito queridas comigo. Escrever minhas inquietações me dá a sensação de que elas não são tão pesadas assim, e contar as alegrias me dá a certeza que é uma alegria compartilhada e que ela fica bem maior.

P.S. Vou providenciar uma fotinho atualizada para vocês verem a figura, rsrsrs.

sexta-feira, maio 11, 2012

Gordinho simpatico, magro antipático


"- Fulano(a) era um(a) gordinho(a) tão simpático(a), agora que emagreceu ficou antipático(a)".

Vocês já escutaram este tipo de comentário alguma vez? Eu escutei várias vezes. O comentário era que eu mudaria muuuuuuuuito e que ficaria antipática e metida depois de emagrecer alguns quilos. Também me diziam que ia abandonar meu namorado e amigas. Que loucura! Eu só queria emagrecer, não queria me transformar em outra pessoa.

Agora que já emagreci um pouco eu tenho que desabafar, realmente mudei.  Tirei um fardo que pesava demais no meu coração. Deixei muitas neuras para trás (não todas) e hoje sinto que vivo as coisas de maneira muito mais espontânea, mais despreocupada e na verdade sinto que sou uma pessoa mais simpática agora.

É que quando olho para trás eu vejo uma pessoa cheia de nhé nhé nhé, sempre preocupada com tudo, encanada (porque a roupa não ficava legal ou porque não queria comer em público, ou com medo de me sentar a cadeira quebrar),  preocupada com o que as pessoas estavam pensando sobre meu peso, uma pessoa quase sempre pessimista e baixo astral.

Me olho agora e me vejo mais tranquila e acredito que apesar de ter mudado em alguns aspectos, no geral, continuo a mesma Raquel de sempre, só que numa versão menos aflita. Sinceramente, não sei se o fato de emagrecer pode mudar a essência de uma pessoa.

Acredito que algumas mudanças realmente acontecem, já que alguns medos vão embora e começamos a aprender mais sobre nós mesmo, sobre o que nos faz mal e o que nos faz bem. Mas mudar o que somos não.

Poucas pessoas próximas a mim são operadas ou emagreceram muito, só três no total. Tem meu irmão e uma prima, que continuaram basicamente iguais. E tem também um amigo muito querido que era super gordinho e que aperantemente não era encanado com peso. O cara era a alma e o centro das atenções em qualquer festa ou reunião. Bem humorado, inteligente, agradável e só para encurtar a lista das milhares de qualidades dele, um músico excepcional. Como estava bastante gordinho (180 quilos) e com muitos problemas de saúde,  optou pela cirurgia. Para resumir, emagreceu e ficou mais sério. Agora é taxado de antipático. Será que ele realmente ficou antipático? Ainda é o mesmo cara doce de sempre, só que mais sério. 

Por que será que as pessoas nos pré-julgam assim? Eu ainda não entendi a lógica da coisa, qual a relação entre emagrecer e se transformar num trambolho megalomaníaco? O fato de emagrecer significa que você está condenado a se transformar numa pessoa pior? Sei lá, me incomoda escutar isso, que vou me transformar num projeto de alma sebosa só porque vou perder peso. Acho isso muito preconceituoso e estúpido. Eu sou mais que isso. Emagrecer ou engordar não torna uma pessoa boa ou má, ninguém é um anjo de bondade porque é gordo, nem é ruim porque é magro.

E só para constar, eu ainda tenho os mesmos sonhos, as mesmas amigas, amo o mesmo homem e definitivamente me acho muito mais simpática hoje.
:P

terça-feira, maio 08, 2012

Crônica de uma calcinha

Bariamigas,

desculpe a crise de loucura, sei que o tema é... diferente, rsrsrs, mas, vocês já conseguiram renovar o arsenal de roupas íntimas? Então, aos poucos consegui dar uma renovada básica no meu. Hoje uso uns sutiãs mais bonitos e delicados e umas calcinhas diferentes. O caso é que recentemente eu comprei uma calcinha que até então eu nunca imaginei que usaria... rsrsrs. Na verdade antes eu só usava calçolões enormes, daquele jeito, rsrsrs. Um tempo depois da cirurgia passei a usar o meio termo, uma calcinha digamos... normal. Mas o fato é que há uns dias atrás eu estava numa loja e vi uma... tanguinha. Olhei para a danada e achei ela bem bonita e sexy. rsrs Fiquei lá olhando e pensando se comprava ou não e no final das contas comprei.

Em casa fui provar a bendita e tive uma crise de riso. Sei lá, sempre fui gordinha e nunca, nunca, nunca tinha experimentado algo parecido. Fiquei com uma sensação que faltava bastante pano nela, rsrsrs. Mas depois, olhando no espelho,  senti uma sensação diferente, não sei explicar, gostei do que vi, mesmo com meus quilinhos a mais e umas pelanquinhas por aí.
Tá bom Raquel, vc comprou uma tanguinha, e daí? Daí que eu sou boba e isso é uma novidade para mim que sempre usei calçolas e estou descobrindo uma Raquel femme fatale, rsrsrs. Também fiquei pensando que talvez eu esteja começando a fazer as pazes comigo mesma, que estou aprendendo a me amar.

Por fim, minha mente fértil ficou se perguntando se tem alguma alma neste mundo que passou por algo parecido. Aqui (no blog) eu já descobri que muitas meninas passam por coisas parecidas, quem sabe eu não sou tão estranha assim, quem sabe não existem mais meninas como eu.

quinta-feira, maio 03, 2012

Me sinto melhor (:

 Pra que chorar sua magoa?
Se afogando em agonia
Contra tempestade em copo d'água
Dance o xote da alegria
Bariamigas,

Antes de tudo gostaria de dizer, OBRIGADA. Agradeço a todos recadinhos de apoio e carinho que recebi de vocês, me senti muito acarinhada. De verdade, de todo coração, OBRIGADA!

Hoje não vim falar de tristezas, chega de tristeza. Vim aqui contar para vocês que a tempestade passou, a tristeza foi embora e me sinto bem. Estou superando a dificuldade de comer. Ontem a noite consegui comer uma saladinha e hoje pela manhã tomei café direitinho e depois consegui almoçar, não me senti mal. Mas acho que meu organismo se ressentiu dos últimos dias e acabei ficando resfriada. Amanheci sentindo os sintomas da chatíssima gripe.

Também vim contar que... hoje começam as aulas de dança na academia e isso me animou de verdade. Quero muito aprender a dançar. Se eu não sei dançar? Hummm, deixa eu contar um segredo para vocês: só sei dançar se eu conduzir o parceiro. Vê se pode? rsrsrsrs. Eu que tenho que ser o "homem" senão nada feito, não consigo dançar. rsrsrs. Considerando esta situação vergonhosa vou fazer as aulas e estou super animada. As primeiras aulas serão de forró. Estou bastante animada, acredito que estas aulas serão risadas garantidas para mim. Quem sabe depois de aprender a dançar eu não comece as aulas de zouk (Eita lelê! Sonhar não custa nada, rsrsrs).

Também quero aprender a dançar direitinho porque quero dançar uma noite todinha com uma pessoinha muito especial que prometeu me ensinar a dançar salsa... (:

Depois volto para contar como foi a aula e outras coisinhas mais. Um abraço em todas vocês.