quinta-feira, setembro 20, 2012

Dúvida

 Menina(o)s,

cheguei aos 69kg. Agora só falta 1 quilinho para alcançar minha meta pessoal. Mês que vem completo 1 ano e já vou conversar (sério) com o cirurgião sobre as plásticas. Da última vez que tentei falar sobre o assunto, levei um redondíssimo não. Acho que foi porque só tinha 9 meses, rsrs. Não sei muito bem como essa coisa de plástica reparadora é, mas quando souber eu conto aqui.

Mas este post é para falar sobre outra coisa.  Estou passando por uma fase um pouco estranha. Além de muitas pessoas não me reconhecerem (sem exagero), agora, as pessoas também dizem que estou magra demais. Os familiares mais íntimos me enchem o saco me chamando de puro osso (não falam sério, só falam para me chatear mesmo). Coisa mais doida, como vamos de um extremo ao outro assim? Antes eu era a rolha de poço, agora sou a puro osso. Vai entender as pessoas...

Mas tem pessoas que não falam brincando não, falam sério, já escutei até que estou anoréxica. Na realidade as opiniões não me incomodam não, o que me deixou sismada é o fato que me olho no espelho e me vejo gordinha ainda.  Será que isso é normal?

Fiquei pensando sobre o assunto, e fui observar meu comportamento,  minha alimentação. Percebi que me alimento normalmente, salvo os dias que me esqueço de comer ou me sinto muito agoniada. Mas isso não é rotina não, só acontece as vezes, acho que todo mundo tem esses dias. De maneira geral, se tenho vontade de comer algo eu como, só não abuso. 

Mas fiquei pensando no espelho... É claro que percebi que emagreci um pouco, mas porque será que me olho e me vejo gordinha? Estranho.

terça-feira, setembro 11, 2012

Crônica de um amor perdido


Ela estava cansada de escutar de seus amigos que deveria seguir em frente. Não que esse carinhoso conselho lhe aborrecesse, ela sabia bem que não lhe restava outra opção. Todas as promessas e sonhos agora eram só dolorosas lembranças que ela evitava avivar.

Mas as lembranças pareciam ter vida própria e mesmo sem serem convidadas, vez ou outra vinham visitá-la. Inconvenientes, só iam embora depois de arrancar doloridas lágrimas de saudades. O amor é complicado, ela suspirava enquanto lavava o rosto para que ninguém notasse que havia chorado novamente. 

E mesmo com todo cuidado para disfarçar a dor que levava em seu coração, as lágrimas deixavam uma marca em seu olhar, refletiam a tristeza que lhe tomava a alma e novamente ela voltava a escutar que devia seguir em frente.

Tentar seguir em frente... Estas palavras lhe pareciam muito razoavéis. Seria de razão que ela necessitava naquele momento? Ela que sempre usara mais o coração pensou que talvez devesse usar mais a razão. Colocou a armadura da razão e tentou não sentir, não pensar, só esquecer e apagar. Mas quem escreveu que o coração não entende de razão sabia bem o que estava afirmando.

A razão foi massacrada pelo peso dos sentimentos que ainda estavam vivos em seu coração e ela percebeu que lutar com sentimentos definitivamente é uma batalha perdida. Mas alimentar aquilo que nunca será tampouco lhe ajudaria muito. O que fazer? Se lembrou então, que em casos de dores de amor, os sábios costumam afirmar que o tempo tem o poder de curar tudo. Seria isso verdade? Sem outra opção, ela decidiu simplesmente se entregar, deixar suas dores nas mãos do tempo.

 Agora suas preces se dirigiam ao tempo. Tempo, tempo, tempo...

Enquanto ela esperava a resposta do tempo, ela pode vivenciar bem as suas duas faces. Lembrou-se de quando estavam juntos, da felicidade que sentia, nesses momentos o tempo parecia sempre passar rápido demais. Mas agora, o tempo parecia se arrastar tão vagarosamente que ela tinha a impressão que suas feridas nunca cicatrizariam. Por que  será que o tempo agia assim?
 
O tempo as vezes se assemelha a um grande arquivo. As coisas boas que vivemos ele arquiva num gaveta próxima ao coração. Nelas temos um acesso fácil a tudo que nos faz bem, e são essas recordações que nos amparam e nos dão força em nossos momentos mais difíceis. As más experiências ele guarda numa gavetinha mais lá no fundinho, mas nunca tão fundo a ponto de nos esquecermos das experiências adquiridas.
 

As vezes ele pode parecer ser muito lento, mas é que só assim ele pode fazer seu trabalho direitinho. Curando e deixando tudo exatamente aonde deve estar.

Qualquer semelhança entre esta crônica e a realidade da autora é mera coincidência. (:





sábado, setembro 08, 2012

Quando contar?

Em relação a cirurgia, depois de operados passamos por duas fases: a primeira é a da novidade. Nessa fase adoramos comentar o tema com todo momento, é a empolgação de estarmos vivendo mudanças boas, mudanças que nos libertam de tantas coisas ruins e transformam literalmente nossas vidas. Essa fase é muito gostosa porque é cheia de descobertas e experiências boas (ou nem tanto) e aprendizado.

A segunda fase acontece após um certo tempo de cirurgia, é quando nos acostumamos a essa nova situação de operados, a nova dieta, a um novo ritmo de vida, então nossa vida passa a ser mais normal.

Não estou dizendo com isso que nos esquecemos que somos operados, não é nada disso (eu não esqueci que sou operada).  Vou até arriscar a contar como me sinto em relação a isso: eu não me sinto magra,me sinto gordinha em eterno tratamento.

Mas continuando... Com tantas mudanças, não é incomum a chegada de novas pessoas em nossas vidas. E então, as vezes, você é pego em algumas situações em que você não sabe exatamente como agir.

Outro dia eu estava numa lanchonete com uma pessoa que conheci há pouco tempo, conversando tranquilamente, quando chegou um conhecido e do nada começou a falar: " - Oi, Raquel! Nossa! Você emagreceu muito. Quanto mais você emagrece mais... blá blá blá".

O caso é que como fazia pouco tempo que conhecia a pessoa, não havia contado ainda, não achei que fosse tão urgente contar, a idéia era falar em outro momento. Mas depois da "ajudinha" que tive só me restou contar ali mesmo, naquele momento.

Sinceramente eu não tenho problemas em falar sobre o tema, não tenho vergonha, nem  nada disso. Todo mundo que me conhece sabe que operei e não me incomoda conversar sobre isso, ao contrário. Só que aquele era o primeiro encontro e para mim, não era o momento de falar sobre o tema, eu teria outras oportunidades para contar, tudo tem seu tempo. Eu acredito que eu sou a Raquel operada, mas antes de ser operada eu sou só a Raquel. E a Raquel gosta de conhecer e ser conhecida aos pouquinhos, rsrs.

Mas essas situações não acabam aí não. Além de você correr o risco de outra pessoa contar antes de você, acontecem outras situações com novos colegas de trabalho, estudo ou novos conhecidos. Se você não conta, eles ficam reparando a quantidade de comida que você serve em seu prato ou ficam olhando torto, te achando uma obsessiva por magreza, quando dizemos não para alguma coisa que não nos cai bem (um doce, uma bebida, etc). 
Por outro lado se contamos e não conhecemos muito bem a pessoa temos que estar preparados para todo tipo de afirmações, perguntas ou exclamações. O problema é que nem sempre sabemos lidar bem com pessoas inconvenientes.

Bariamiga(o)s, me digam uma coisa: Quando vocês tocam no tema? Para quem vocês falam? Como é que vocês lidam isso? Vocês são mais tranquilas que a criatura aqui?

segunda-feira, setembro 03, 2012

Quando entrar setembro



Sol de primavera abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor, só nos resta aprender
Sol de primavera - Beto Guedes

Setembro chegou. Este é um mês muito querido por muitas pessoas, inclusive por mim. Acredito que grande parte deste carinho se deve ao fato que setembro traz consigo a primavera.

É nesta época que tudo que estava dormindo na natureza desperta com a majestosa força da vida. Em Brasília, aos poucos os ipês, de todas as cores, irão florescer e enfeitar toda a cidade, deixando-a com um charme todo especial, desses que enchem os olhos e o coração.  E nas tardes, já quase a noitinha, as chuvas virão avisar, com sua suave carícia, à natureza que chegou novamente o momento de despertar para um novo ciclo de nascimentos.

É uma sensação inigualável poder observar essa sinfonia de vida. A primavera tem um encanto especial, cheia de exuberante beleza e de alegria, ela nós ensina que é o momento de reflorescer. É no meio de tanta magia que, aos pouquinhos, passamos a olhar para nós mesmo e então percebemos que devemos reflorescer também, deixar nascer o que é bom e o que nos faz bem. 

Setembro chega assim, cheio de vida, nos mostrando que devemos deixar a primavera acontecer em nossos corações também pois o inverno acabou.