quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Cirurgias reparadoras pós gastroplastia

 O assunto hoje são as pelanquinhas pós operatório. Pois é bariamiga(o)s, não tem para onde correr não, ficamos assim mesmo, pelancudinhos e não é raro necessitarmos de umas plasticazinhas por aí. No meu caso, os 54 quilos eliminados deixaram suas marquinhas. Pele sobrando nos braços e um pouco nas pernas. A barriga, apesar de horrorosa, foi a que ficou melhor dentro do quadro geral, rsrs. Até os seios que eram uma fartura infinitiva ficaram só a... pele.

Já faz um tempo que tenho pensado em fazer reparadoras, mas estou precisando me livrar da anemia para ter a aprovação do meu médico. A idéia é reparar seios e barriga ainda esse ano. É que tenho uma alergia chatinha que é recorrente na minha barriga. Na questão de perda tão grande de peso, tem muita gente que malha e esse flacidez não fica tão marcante. Mas sem querer te apavorar, mas na maioria dos casos, não tem jeito. Te conto isso para você aproveitar e começar a se preparar para aceitar uma realidade: você fica magro, mas não top model. 
 
A realidade é bem menos glamourosa, o excesso de pele pode atrapalhar o  caminhar, pode causar infecções, assaduras e acreditem: até deformidades. Incontestável a baixa auto estima em casos assim. Incontestável também a necessidade de cirurgia reparadora, pois aqui o foco é a reparação; a estética vem como consequência mas não é a finalidade.

Geralmente, pacientes gastroplastizado são encaminhados para as reparadoras pelo próprio cirurgião, depois de levar em consideração o tempo de cirurgia, a estabilidade do peso e boa saúde de maneira geral. Então eles nos dão o aval para  procurar o plástico. O plástico então, com essas informações fará nova avaliação.

Quem operou (ou vai operar) por plano de saúde sabe bem como pode ser estressante esse processo. Algumas seguradoras fazem exigências e mais exigências, muitas vezes até se atrevem a negar de maneira arbitrária a gastroplastia. No caso das cirurgias reparadoras pode ser muito pior, considerando que eles costumam alegar se tratar de procedimento estético ou alegar que o procedimento não consta no rol da ANS.

Mas mesmo com toda essa marra dos planos, tenho boas notícias: as seguradoras devem autorizar as cirurgias reparadoras. Os tribunais, de maneira geral, têm entendido que A CIRURGIA REPARADORA DECORRENTE DE GASTROPLASTIA FAZ PARTE DO TRATAMENTO PARA OBESIDADE MÓRBIDA, NÃO CONFIGURANDO TRATAMENTO ESTÉTICO OU DE REJUVENESCIMENTO, RAZÃO PELA QUAL DEVE SER INTEGRALMENTE COBERTA PELO PLANO DE SAÚDE.

"Poxa, Raquel, que complicação! Ter que recorrer a justiça para operar, pura dor de cabeça!" Os planos, muitas vezes, agem de maneira abusiva porque acatamos o que eles decidem sem contestar. Apesar do incômodo de recorrer aos meios judiciais, você só estará fazendo valer seu direito e de tabela, também estará ajudando a mudar, aos poucos, essa realidade abusiva dos planos de saúde. "Ah! Mas advogado geralmente é carão..." Para isso existe defensoria pública. 

"Ah! Mas defensor público não cuida direito do processo..." Nada disso! Posso afirmar que os defensores públicos fazem parte do rol dos melhores advogados brasileiros. A diferença é que eles contam com um volume incalculável de causas para cuidar o que sobrecarrega e muitas vezes não deixa espaço para uma atenção tão vip assim. Mas isso, as vezes, nem pagando temos, observe o tanto de picareta que tem por aí...

Aproveito para  dar uma opinião, algo extremamente pessoal: se você recebeu um não e se encontra na situação de ter que recorrer aos meios judiciais, evite pedir indenizações por danos morais pela  negativa da seguradora. A idéia geral é convencer o juiz  que você necessita complementar seu tratamento da obesidade que se iniciou com a gastroplastia. Essa é só minha opinião. "Ah, Raquel! Mas eles abusam demais, me senti danada, passei tanta raiva e frustação." Tudo bem, eles realmente soltam as asinhas, mas a maioria dos juízes entendem que esses pequenos aborrecimentos e dissabores não configuram danos morais, são fatos comuns da vida, e a vida é cheia de intempéries mesmo. Faça ele olhar seu pedido com simpatia e só peça danos se realmente houve um real e efetivo dano.

E vamos que vamos, procurar um plástico bem porreta, para retirar nossas companheiras (temporárias) pelanquinhas, rsrs.





sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Os dois lados da moeda

 "Sou exigente com a beleza: ela tem que vir de dentro."

A maioria das meninas que leio/acompanho o blog são casadas ou estão namorando. Tanto as que operaram, as que vão operar e as que fazem RA. E é nesses blogs (e as vezes em rede sociais) que vejo comentários sobre o namoro, paquera, amor das pessoas gordinhas ou obesas.

Eu realmente fico encantada com as meninas que contam que sempre foram paqueradas, namoraram, casaram, tiveram seus filhos independentemente do seu peso. Caramba, acho muito legal isso porque na minha cabeça essas meninas foram realmente amadas pelo que são independentemente de qualquer coisa. 

Eu sempre vivi o outro lado da moeda. Era praticamente invisível para o mundo masculino. Digo praticamente porque tive algumas poucas experiências por aí...

Aos 31 anos namorei muito pouco. Acredito que grande parte disso foi devido a minha maneira de ser e a outra parte por ser obesa. Não era uma pessoa desencanada que levava a obesidade numa boa não. Era extremamente complexada e fazia de tudo para viver no meu mundinho, de preferência bem longe dos rapazes.

Ser invisível para "eles" era ao mesmo tempo um alívio e terrível. O lado "bom" é que não queria que me notassem... obesa, e não ser notada me dava um pouco de alívio. Estranhamente, o lado terrível  também era não ser notada, rsrs, pois daí vinha a quase total inexistência de vida amorosa, e poxa, isso doía bastante, afinal eu tinha meus sonhos como qualquer pessoa.

E foi, depois de viver uma vida inteira obesa, com baixíssima auto estima, psicológico um caco, quase fóbica social e 54 quilos acima do peso normal optei pela cirurgia. Em um ano saí dos 120 quilos para os 66. E do nada eu apareci, deixei de ser invisível. Desde então comecei a receber atenções, telefonemas, convites e pedidos que antes nunca recebi. Até insistentes encontrei no meu caminho depois de emagrecer uns quilos.

Hoje os homens se acercam de mim, antes nem a pau. Hoje eu posso ser a namorada que se apresenta a família, antes nem a pau. Hoje recebo gestos de atenção e delicadeza que antes não recebia. Sabe o mais estranho disso tudo? Sou só eu, a Raquel. Seja com 120 ou 66 quilos, sou somente eu. Daí fico imaginando o quanto nós podemos ser superficiais (humanos).

A minha cabeça não entende essa dinâmica. Ela processa as coisas assim: quem realmente gosta de você, gosta do jeito que você é e ponto. Mas o difícil mesmo é encontrar por aí alguém que se se permita te ver como você é e não como você aparenta. Por isso digo e repito, acho lindo quando vejo as meninas contando sobre seus namorados e esposos. Valorizem meninas, isso sim é gostar de verdade e é raro no dias atuais. 

O meu desafio atualmente, com todas essas mudanças é não me permitir ser igual àquelas pessoas que só enxergam parte e não o conjunto inteiro. É perceber além das aparências as pessoas, pois acredito que o que é realmente importante nessa vida não podemos ver, o essencial é invísivel aos olhos, mas é sempre muito claro ao coração.


sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Não acomodar com o que incomoda

Enfim fevereiro chegou, que alívio! 

Uai, Raquel, tanta ansiedade é para pular o carnaval? Não, o motivo é outro e vou contar para você.

Janeiro foi um mês bem difícil para mim, apesar de ser o mês do meu aniversário (completei 31 aninhos), este ano não me sentia com muitos motivos para comemorar. Também foi mais um mês de espera o que ironicamente me agoniou demais. Esses 31 dias pareciam intermináveis. E agora que fevereiro, finalmente chegou, estou rindo a toa, respirando aliviada.

É que deixei de estar a toa. Definitivamente, mente vazia é oficina do diabo. Falo por mim e com autoridade. Nada melhor que cabeça e corpo ocupados com coisas boas e produtivas. Nossa! Estava precisando muito disso.

Até um tempo atrás eu vivia numa inércia danada e nem ligava. Antes quando algo me doía ou incomodava ficava nisso mesmo, não fazia nada a respeito. Mas depois da cirurgia, algumas coisas mudaram... Não sei como, nem quando e nem o porque exatamente, mas minha atitude de inércia passou, finalmente, a ser vista por mim como anormal e não saudável. 

É lógico, Raquel, você pode pensar. Como é que a pessoa vai sentir dor/incômodo e não fazer nada? Concordo contigo, é obvio. Mas vou te falar, não era tão obvio para mim isso antes. Antes eu só carregava a dor e pronto, sem questionar.
 
Hoje quando me deparo com situações assim, me incomodam tanto que tenho que fazer alguma coisa sim ou sim. Diferentemente de antes, só observar tudo passivamente não serve, tenho que fazer algo para mudar a situação pois me sinto insuportavelmente sufocada, não consigo mais ser conivente com este tipo de situação.
Ainda não sei dizer se parte da velha Raquel morreu ou acordou, só sei dizer que mudou, mudou muito. O que antes era aceito agora não mais. Antes incomodava e ficava nisso mesmo, agora é assim: "Está te incomodando minha filha? Então vamos mudar, né.". Não acomodar com o que incomoda. Taí, é isso mesmo.
Mas sabe, antes de chegar aqui eu perdi muito tempo, derramei muitas lágrimas e sofri bastante para aprender a agir. 
 
Fevereiro chegou assim, cheios de desafios e é isso mesmo que quero e preciso. Sonhar é muito bom, gostoso de verdade. Sonhar nos enche de esperanças e vida, mas realizar os sonhos é muito melhor. Viver o hoje sem ficar só esperando por um eterno amanhã é o verdadeiro viver.

Para quem gosta, desejo um ótimo carnaval (com responsabilidade). 


Para quem não gosta de pular, que curta bastante o feriadão que é bem gostoso. 

E o meu carnaval??? Volto logo para contar BOAS novidades. (: