sábado, dezembro 31, 2016

Dia 31



Hoje é dia 31 de dezembro de 2016. Falta poucas horas para o ano acabar. Estou sentada no sofá da minha esperando minha família chegar para uma pequena reunião. Esse ano as batalhas foram muitas e as mudanças também. 

Nós que já estávamos batalhando com a demência de meu pai há mais ou menos 3 anos, agora estamos lidando com um câncer em minha mãe. Soubemos agora, no início de dezembro. 

A primeira reação foi de desespero, mas com tempo as coisas estão se encaixando e o coração tá começando a se acalmar. A batalha sem dúvida alguma é grande, mas a disposição também. Então, depois das lágrimas veio a força, nem sei bem de onde.

Com o diagnóstico de minha mãe, a minha cirurgia teve que ser adiada indeterminadamente. Os exames estavam prontos, só estava fazendo uso de noripurum por causa da anemia. Não me queixo, definitivamente minha mãe é infinitamente mais importante.

Esse ano foi realmente um ano duro, mas também foi um ano de recomeço. Fui para o terceiro semestre de minha nova graduação com o coração cheio de alegria e gratidão. Eu me encontrei. Demorei, mas me achei e tô super feliz.

Nesse ano aprendi a real importância de saber dizer não. Então, deixei coisas, lugares e pessoas no passado. E descobri que hoje eu me gosto bem mais e as pessoas que convivem comigo já me falam abertamente como mudei.

Mudei tanto que até fiquei loira. E sinceramente estou adorando. Morro de ri quando um guri na rua me chama de loirinha. O coração, sossegado, tá feliz, ele descobriu que tudo que custe a paz dele é caro demais. Então encontrou um outro coração em paz. E a paz tá multiplicada.

Desejo a todos que acompanham o blog um 2017 incrível. As batalhas sempre existirão, para todos nós, fazem parte da vida. Mas nossa garra também existe e vamos cultivá-la. Nem sempre é fácil, mas é a melhor opção sempre.

Não deixem de acreditar nos sonhos, de correr atrás. A vida passa rapidinho. E bora lá, que o universo conspira a favor daquele luta pelo bem. Feliz ano novo! Toda paz sempre.



segunda-feira, outubro 17, 2016

E chegou minha hora!

Dia 20/10 completo cinco anos de bariátrica. 

Parabéns para mim! 

Estou comemorando esses cinco anos com o início de minhas reparadoras. Depois de muitas incertezas fui a uma consulta com o cirurgião plástico. Cheguei lá um pouquinho antes das 15h e saí às 17:30h. Fui muito bem recebida, fotografada (credo!) e orientada. Finalmente decidi, vou fazer.

As minhas reparadoras serão feitas em duas etapas. A primeira será abdômen, glúteo e pernas. E a segunda, após seis meses, será seios e braços. Saí da consulta quase me acreditando um Frankenstein, mas ok, faz parte de um longo processo.

Farei pelo plano de saúde todas elas, e se tudo sair conforme o planejado, em dezembro a primeira etapa estará concluída. Eu ando bem ansiosa com isso, uma expectativa misturada a um pouco de medo.

Hoje enquanto escutava o médico, fiquei imaginando o resultado final dessa primeira etapa. As peles de barriga vão todas sumir, o bumbum será levantado e modelado, as pernas também passarão por uma retirada de pele. Será um procedimento grande, mas que me transformará muito. 

Já até imaginei como será comprar meu primeiro biquíni, ou ir a praia, cachoeira. Dá uma emoção tão grande saber que aos pouquinhos minha vida vai entrando nos eixos. Que as marcas começam a ser substituídas por outras, e que me lembrarão que caminhei um longo caminho, lutei uma grande batalha e venci.

Tenho muitos exames para fazer, tomografia, risco cirúrgico, raio-x, exames de sangue e laudo da hematologista (por causa da anemia ferropativa) e consulta com anestesista. Maaaaas, ainda tenho que esperar as provas acabarem na faculdade para que eu possa falar com o pessoal da equipe e eles acionem o plano de saúde.

Depois disso o plano tem 21 dias para responder (autorizar), e depois de autorizado eu tenho 30 dias para operar. A recomendação da secretária do cirurgião sobre lidar com esse tempo sem se enrolar  é começar a fazer alguns exames mais enjoadinhos. E farei isso mesmo. 

No mais, nada de emagrecer mais, ordens do doutor, o que chega até ser engraçado. 

Final de novembro eu volto para contar a evolução de todo esse processo. Por enquanto vou deixando meu abraço e o desejo sincero para aquele que lê esse blog nunca desista de você, se cuida, física e mentalmente, lute, não se conforme com aquilo que te fere. Só há dois dias no ano em que você não pode fazer nada pela sua vida: ontem e amanhã.

Então vamos lá, porque se tentar viver saudável (mente, corpo e coração) dá trabalho, ser infeliz dá muito mais. 




terça-feira, setembro 06, 2016

Engolir sapo pesa na balança


Alguém por aqui acredita em destino? Aquela malha invisível e misteriosa que nos conduz a determinado caminho... Pois bem, acreditando ou não, aconteceu algo muito curioso comigo hoje e dei crédito ao sr. destino. 

Logo após o almoço dei um pulinho até a banca de revistas próxima a minha casa procurando uma caneta, quando me deparo com essa belezura. Não que a capa seja a mais atraente do mundo. Mas como diz o velho ditado, não devemos julgar o livro somente por sua capa.

O título me chamou muito a atenção, mas foi quando vi o índice que eu tive a certeza que ele estava destinado a mim. Olhem só o índice!  


A autora que é psicoterapeuta, não vem nos enfiar em modismos, ou nos apresentar fórmulas mirabolantes. A proposta dela é fazer uma busca de alguns "porquês".

Aos pouquinhos vou postando os tópicos mais legais do livro. Por enquanto fica essa dica de leitura mara. 

Anda engolindo sapinhos? Cuidado! Isso pode estar afetando no seu peso. 

quinta-feira, agosto 18, 2016

Treinamento Funcional


Já faz um tempão que estou tentando me adaptar a uma prática de exercício físico. Tentei natação, mas meu medo da água foi maior, e após seis meses desanimei.

Tentei musculação, mas achava um saco aquele ambiente pesado e neurotizado de academia.

Cogitei até fazer dança do ventre. Mas as minhas pelancas falaram mais alto. Ainda me sinto constrangida com elas.

Mas meu cirurgião sempre me cobrava isso nas consultas, a necessidade de fazer um exercício físico. Eu emagreci muito, 52 no quilo total, e sem atividade física perdi muita massa magra também, o que não é nem um pouco bom.

Em cinco anos eu fiquei totalmente sem força física, e não foi por falta de orientação médica não. 

Até que encontrei o chamado treino funcional. Só que para pagar todos os meus pecados é feito na areia; E pensem num trem intenso, mas não nego, adorei. É ao ar livre, é em grupo, as pessoas que treinam comigo são reais (não aquelas super bombadas). Os exercícios são dinâmicos, e toda semana o treino muda.

Já estou treinando a quase dois meses e já fiz cada exercício que nunca imaginei que conseguiria. Já corri até arrastando pneu, e olha que eu não conseguia correr. Simplesmente não conseguia! 

Além de descobrir que eu não sabia como correr. A treinadora me ajudou a melhorar muito meu equilíbrio e coordenação motora. 

O treino na areia é muito, muito desgastante. Termino o treino mortinha.  Mas o lado maravilhoso e que como os exercícios são muito dinâmicos, você, com o tempo, vai ganhando força, equilíbrio, flexibilidade, condicionamento e resistência.

É um treino muito indicado para quem quer emagrecer porque é puxado pra caramba e queima mesmo. Derrete tudo! Na primeira semana você fica toda dolorida. Subir e descer escadas é quase impossível, você até cogita em nunca, jamais voltar ao treino.

Mas depois a gente pensa direito, lembra de nossos objetivos e decide voltar e persistir. E vou falar para vocês, toda aula é uma superação. Pois o treino nunca é o mesmo e necessitamos sempre nos superar.

Estou lá porque preciso de força, resistência, condicionamento e é claro coordenação motora. Pensem numa serumaninha que é descoordenada. Prazer, eu!

De aspecto negativo eu só notei a relação da areia com os pés. Primeiro, inocentemente eu tentei treinar de meias, mas elas não aguentam o atrito e se desfazem. Depois desencanei e fui treinar descalço mesmo. Mas meus pés ficaram ásperos e eu não gostei. Daí uma das gurias do grupo comprou uma botinha de neoprene (aquelas que os mergulhadores usam) e parece que isso solucionou a crise. Vou comprar uma também.

Tô gostando muito e realmente indico. Só repito que é preciso querer se superar. Depois disso caímos de paixão e então viramos fã.




quarta-feira, agosto 17, 2016

Quilos Mortais


Há um tempo atrás eu conheci um programa que me chamou muito a atenção chamado "quilos mortais".

Ele conta a histórias de pessoas com super obesidade (sim, isso, mesmo) e a luta delas para recuperar suas vidas através do emagrecimento. Sim, recuperar suas vidas pois com super obesidade uma grande porcentagem delas já não consegue nem caminhar, muitas vivem presos em cima de uma cama. 

E como sofrem! É absurdo o sofrimento pelo quais passam. É muito triste a maneira como não conseguem parar de se ferir. 

Então quando elas decidem que é hora de pedir ajudar, elas conhecem um médico especialista em cirurgia bariátrica em pessoas com super obesidade. Na maioria das vezes, elas tem a ajuda de uma equipe de psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas.

 Em casos mais extremos, quando a risco de morte é muito iminente elas ficam um tempo internadas no hospital, até que o risco passe. Existem aqueles que também ficam internados para conseguirem dar início a uma dieta que possibilite uma perda de peso para que a cirurgia possar ser realizada.

Mostram a vida do pacientes antes, como ele vive, como se sente. Mostra os encontros com o médico, o início do tratamento, a cirurgia e o início das mudanças conquistas depois de uma drástica perda de peso.

O programa nos faz refletir bastante sobre a nossa relação com a comida e como podemos nos ferir com isso a ponto de sermos prisioneiros de nossa compulsão e de nosso corpo.

Sempre que vejo um episódio, me vejo muito naquelas pessoas, vejo a complexidade dos problemas envolvidos que que o obeso mórbido enfrenta.

Vou deixar um link de uma fã page do facebook que disponibiliza os episódios. O mais legal é que tem outros programas sobre obesidade lá, mas eu quero falar sobre eles em posts separados.

Para quem é obeso, pra quem tá pensando em fazer a cirurgia bariátrica e para quem já fez é um programa que pode nos ajudar enxergar com clareza a obesidade mórbida. Como ela afeta todos os aspetos de nossas vidas e pode, sem dúvidas, nos roubar muitas coisas (e nos rouba).

Olha o link aqui:
http://www.facebook.com/quilosmortais

Passa lá, veja, sinta e acima de tudo reflita muito. Um abraço!

Ah! Um abraço ao dono da página, que só posta os vídeos lá com a intenção de ajudar as pessoas a reconhecerem uma situação tão perigosa e a pediram ajuda o quanto antes.



quinta-feira, agosto 04, 2016

Não se abandone jamais


Nunca se abandone. Nunca deixe de cuidar de si mesmo.
Esse princípio é vital, e se aplica a todas as pessoas, em todos os momentos da vida.
Mas eu queria falar mesmo era sobre as pessoas que se submetem à cirurgia bariátrica.
Um cirurgião Bariátrico em geral acompanha seus pacientes por muitos anos, eu tenho muitos pacientes que já acompanho por mais de 15 anos.
É um bom pedaço da vida da pessoa dividindo comigo muitas experiências.
Encontros, desencontros, realizações, alegrias, sofrimentos, ganhos, perdas, sucessos,fracassos, enfim, tudo que faz parte da vida. 
A gente ouve, aconselha, trata, corrige rumos, ajuda, ou pelo menos tenta não atrapalhar, se alegra junto e às vezes fica triste junto.
Não há nada que me deixe mais desanimado e triste do que ver um paciente se abandonar.
Como pode ser esse abandono, essa falta de cuidado consigo mesmo?
A cirurgia bariátrica muitas vezes foi decidida como o último recurso para tratar um problema, que estava sem controle e provocando muita dor e sofrimento físico, social e psíquico.
Mas, apesar de ser muito eficaz, ela exige cuidados especiais, exige sacrifícios.
Nós modificamos um sistema digestivo aparentemente normal, para a pessoa perder algum excesso de peso e obter o alívio para uma série de doenças que acompanham a obesidade.
Nós não apenas causamos restrição à capacidade da pessoa comer muito, nem tão pouco causamos somente a diminuição da absorção dos alimentos.
Nós modificamos, através do procedimento cirúrgico, a maneira como funcionam todas as funções metabólicas, o apetite, a sensação da fome, a saciedade, o gasto calórico basal, a termogênese dos alimentos, a sinalização entre o tubo digestivo, seus hormônios, suas glândulas anexas e o cérebro.
Nós modificamos a forma como circulam os sais biliares e até mudamos o perfil bacteriológico da microbiota intestinal.
Todo o metabolismo dos carboidratos é alterado, produzindo melhora da secreção e da sensibilidade à insulina e consequente melhora dos níveis de glicose no sangue e curamos o diabetes.
Mas a cirurgia bariátrica exige que a pessoa use suplementos vitaminicos, faça exames e consultas periódicas e tenha hábitos de vida saudáveis, como comer alimentos nutritivos e fazer um pouco de atividade física.
Ninguém precisa ficar neurótico com a comida, viver no consultório do cirurgião, nem da nutricionista, e muito menos virar atleta, mas tem que se cuidar.
Abandonar-se, descuidar-se é deixar-se morrer.
A morte está dentro de cada uma das nossas células. Literalmente cada célula possui um vacúolo no seu interior, contendo enzimas ou água oxigenada, que pode destruir imediatamente a própria célula.
A morte também está ao nosso redor, basta prestar atenção aos perigos que nos rodeiam.
A vida também está dentro de nós, e por todos os lugares.
Nós, e cada uma das nossas células, temos que lutar o tempo todo pela vida e contra a morte.
Um paciente Bariátrico se abandona quando não toma seus suplementos e vitaminas, quando não se consulta mais com sua nutricionista, quando come porcaria que não é nutritivo e prejudica a saúde, como biscoitos e refrigerantes, quando fica sedentário e inativo e quando ingere bebida alcoólica de forma irresponsável.
O resultado desse abandono é um grande fracasso, que pode não ser temporário.
Quando a gente passa por uma fase sofrida da vida, quando sofremos alguma perda muito grande, nós temos todo o direito de ficar tristes e chorar, só não podemos nunca é nos abandonar, jamais.


Dr. Orlando Pereira Faria
Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica e responsável Técnico pela Gastrocirurgia de Brasília; graduado pela Universidade de Brasília (UNB). Fez residência no hospital universitário e especialização em cirurgia do aparelho digestivo na Universidade de Paris. Em 1999, fez curso e estágio no Instituto Garrido em São Paulo, e começou a operar em 2000, apresentando excelentes resultados e com baixíssimo índice de complicação. 

quinta-feira, junho 16, 2016

Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.


Esse blog é de uma bariatricada (nome feio, né? rsrs), mas ele não é focado exatamente em mostrar fotos de antes/depois, apesar de ter algumas por aí. Não tenho nada contra, na verdade, adoro ver as transformações e por isso participo de alguns grupos no Facebook.

Mas ao longo dos anos o blog foi tomando uma cara mais reflexiva e o mantive assim. Enfrentar a obesidade desde a infância até os 30 anos pode realmente dar um nó na cabeça de algumas pessoas. Foi o meu caso.

Sofri diversos abusos desde a infância até a adolescência. Nunca me senti segura e cresci uma pessoa ansiosa, medrosa. Mais que isso, cresci triste e acreditando que era a pior pessoa do mundo e que nunca alcançaria nada de bom.

No primeiro ano após a gastroplastia, quando me vi livre de todo aquele peso, longe de bullying, cabendo em roupas lindas, recebendo elogios, vivendo coisas que nunca havia vivido, eu consegui esconder um pouco essa bomba relógio.


Apesae dela dar claros sinais de que iria explodir a qualquer momento. A sensação de nunca estar segura estava sempre presente, me assombrando e eu realmente não me sentia capaz de realizar nada, nadica mesmo.

Eu era uma pessoa disposta a ajudar a todos, menos a mim. Poderia ser uma boa amiga, mas não era nada amigável comigo mesmo. Queria cuidar das pessoas, mas eu mal podia cuidar a mim. 
E assim, abandonada por mim mesmo, evitando a minha própria vida, eu vivia mendigando afeto.

 As vezes eu barganhava, tentava mostrar como eu era "boazinha" e como deveria ser amada por isso. Vocês devem imaginar o que isso tipo de comportamento resulta, não é mesmo? Eu vivia um desamor, um descaso tão profundo comigo mesmo que aceitava coisas absurdas. Como se paga muito caro por isso...


E eu não entendia porque eu não conseguia sair dessa situação lastimável. Mas não conseguia, estava paralisada. Quando
 a bomba explodiu, não sobrou quase nada de mim.

Mas a vida é interessante, sempre encontramos pessoas que nos ajudam. Quando encontrei essa mão amiga, eu só sabia chorar. Isso se estendeu por um tempo bem longo. Mas não desistiram de mim, e graças a isso um recomeço foi possível.

Quanta dor podemos guardar no peito? Não dá pra saber. Quanto amor podemos carregar no peito? É imensurável. E foi isso que minha mão amiga me ensinou. E eu comecei a aprender a escolher. A primeira lição? Me escolher!

E como se faz isso? Aprendendo a olhar para nós mesmo com olhos de amor. Tendo  paciência incondicional conosco mesmo.

Gente, como é difícil essa fase, porque estamos condicionados só com a negatividade. Então,  você crê cegamente, por mais de 30 anos, só em coisas negativas e de repente você tem que nos desfazer disso para se salvar. Não existem escolhas, ou desfaz disso, ou se desfaz.

E dói fazer isso. Dói porque você vem confiante diante do espelho e diz: "Sou bonita". Mas aquela vozinha maligna que te acompanha toda sua vida diz: "Ninguém nunca vai gostar de você".

Você se inscreve num concurso e ela te diz: "Nunca vai passar". E realmente dá aquele medo Indescritível  disso ser verdade.


Uma pessoa te maltrata, você sente que algo está errado, mas quando você vai buscar meios de ajudar a si mesmo, só se escuta esse vozinha te dizer: "Você mereceu. Você sempre será tratada assim porque não tem valor algum". E a gente acredita.

Quando começamos a nos escolher, devagarzinho, e não sem muito esforço, começamos a modificar pequenos padrões. Mas só desfazer esses padrões não resolve, eles devem ser substituídos por outros, de preferência positivos. Eis aí outra luta grande! A vozinha não quer morrer, então vez por outra ela tenta aparecer, ganhar forças. A questão sempre será de escolha.



Nesse momento é que descobrimos algo que nos choca profundamente. Não existe inimigo pior do aquele que alimentamos em nós. Nós escutamos coisas ruins, enfrentamos coisas terríveis e nos apressamos em aceitar tudo. Guardamos tudo como verdade  e carregamos um monte de lixo que só causa dor.

Em que momento demos tanto poder ao outro? Quando foi que o outro se transformou num grande sabedor e julgador de nossas vidas, aquele que mais sabe sobre nossas dores, vidas, lutas, mais até mesmo do que nós? Por que devemos aceitar como verdade as coisas ruins que nos dizem?

Daí descobrimos que damos poder demais aos outros. E isso é algo extremamente perigoso. Quando passamos a fazer escolhas emocionalmente mais inteligentes as coisas começam a se modificar. Começamos a resgatar nosso poder, nossa fé, nossa luz.

Passamos a escolher o sorriso ao invés de lágrimas, paz ao invés de lutas vãs. Começamos a descobrir novos sonhos, começamos a escolher ações que nos levarão a alcançar objetivos. Começamos a criar cumplicidade com a gente mesmo e tudo isso começa a promover uma limpeza dentro da gente.



Passar vários dias chorando? Não! É mais saudável, mais gostoso, passar vários dias sorrindo. Então eu vou agir para isso. E tudo aquilo que me causa dor, eu vou escolhendo trabalhar, para que fiquem só como experiências e não como senhoras e donas de minha vida.



Foi com pequenas escolhas que comecei a colocar minha vida novamente no trilho, os cenários começaram a mudar.  Passei num concurso e estou esperando ser chamada. Fiz novos amigos e amigas, com os quais passeio, viajo, sorrio, aprendo. Iniciei uma segunda graduação, e tô feliz da vida por estar encontrando um novo caminho. Se precisar ficar sozinha, eu fico numa boa porque ocupo o tempo de maneira sadia. Eu ainda gosto de ajudar, mas procuro sempre cuidar da minha vida primeiro. 

São muitas mudanças, tantas! Mas todas elas vieram de pequenas escolhas. 

Se alguém ler esse post e sentir que nunca vai conseguir, eu queria dizer que vai sim. E não é conversa de auto-ajuda não, você tem que acreditar em ti. Depois disso, tudo pode ser alcançado.

Também queria te dizer que se respeite sempre, que sempre saiba seu valor, o seu limite. Não importa se você perdeu 30, 50, 60, 80 quilos. Se você não for teu melhor parceiro o sofrimento é que será teu companheiro. Sabe o mais duro disso tudo? Será teu companheiro com sua permissão. 

Não é mentira que o mundo bate doído na gente. Mas também não é mentira que há a escolha de se fechar na dor ou de crescer no amor. A escolha é sempre nossa, a responsabilidade também. Tenha sempre claro que não somos vítimas de ninguém, só de nós mesmos.

Não espere por ninguém, seja você o seu maior apostador. E aposte todas as suas fichas, sem duvidar nunca que irá ganhar.

Para aqueles lindos e lindas que sempre se respeitaram, se amaram, gordinhos ou não, eu deixo meus parabéns. Vocês descobriram logo que ninguém sabe mais o seu valor do que vocês mesmo.

Deixo um abraço forte e carinhoso em todos.



Para refletir!
My mad fat diary



terça-feira, janeiro 05, 2016

Desafio de aniversário - 21 dias

Quem já operou há alguns anos sabe que a cirurgia não faz mágica. Sabe que se não implementarmos definitivamente a a mudança na alimentação, não há cirurgia que nos ajude.

Pois então, Natal, Ano Novo, muita comilança e o resultado são vistos nos ponteiros da balança. 

Por isso me propus um desafio de 21 dias. Batizei de desafio de aniversário. Serão 21 dias de dieta rígida. Sem refrigerante, doces ou qualquer tipo de fritura ou bobagem. Para mim, que gosto bastante disso, será realmente um desafio. 

Para atingir a meta escolhi algo que gosto para me focar. Nesse caso foi um vestido lindão que ganhei de presente e decidi usá-lo em meu aniversário. 

Quando vesti o vestido não gostei. Não ficou feio... mas também não ficou da maneira que eu queria por causa dos quilinhos a mais. Então mãos a massa, com foco, força e fé. 

O resultado publicarei aqui no dia 25 de janeiro. 

Apesar de estar postando hoje, o desafio já foi iniciado ontem. Vou contando aqui, aos poucos, como será o processo.