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sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Os dois lados da moeda

 "Sou exigente com a beleza: ela tem que vir de dentro."

A maioria das meninas que leio/acompanho o blog são casadas ou estão namorando. Tanto as que operaram, as que vão operar e as que fazem RA. E é nesses blogs (e as vezes em rede sociais) que vejo comentários sobre o namoro, paquera, amor das pessoas gordinhas ou obesas.

Eu realmente fico encantada com as meninas que contam que sempre foram paqueradas, namoraram, casaram, tiveram seus filhos independentemente do seu peso. Caramba, acho muito legal isso porque na minha cabeça essas meninas foram realmente amadas pelo que são independentemente de qualquer coisa. 

Eu sempre vivi o outro lado da moeda. Era praticamente invisível para o mundo masculino. Digo praticamente porque tive algumas poucas experiências por aí...

Aos 31 anos namorei muito pouco. Acredito que grande parte disso foi devido a minha maneira de ser e a outra parte por ser obesa. Não era uma pessoa desencanada que levava a obesidade numa boa não. Era extremamente complexada e fazia de tudo para viver no meu mundinho, de preferência bem longe dos rapazes.

Ser invisível para "eles" era ao mesmo tempo um alívio e terrível. O lado "bom" é que não queria que me notassem... obesa, e não ser notada me dava um pouco de alívio. Estranhamente, o lado terrível  também era não ser notada, rsrs, pois daí vinha a quase total inexistência de vida amorosa, e poxa, isso doía bastante, afinal eu tinha meus sonhos como qualquer pessoa.

E foi, depois de viver uma vida inteira obesa, com baixíssima auto estima, psicológico um caco, quase fóbica social e 54 quilos acima do peso normal optei pela cirurgia. Em um ano saí dos 120 quilos para os 66. E do nada eu apareci, deixei de ser invisível. Desde então comecei a receber atenções, telefonemas, convites e pedidos que antes nunca recebi. Até insistentes encontrei no meu caminho depois de emagrecer uns quilos.

Hoje os homens se acercam de mim, antes nem a pau. Hoje eu posso ser a namorada que se apresenta a família, antes nem a pau. Hoje recebo gestos de atenção e delicadeza que antes não recebia. Sabe o mais estranho disso tudo? Sou só eu, a Raquel. Seja com 120 ou 66 quilos, sou somente eu. Daí fico imaginando o quanto nós podemos ser superficiais (humanos).

A minha cabeça não entende essa dinâmica. Ela processa as coisas assim: quem realmente gosta de você, gosta do jeito que você é e ponto. Mas o difícil mesmo é encontrar por aí alguém que se se permita te ver como você é e não como você aparenta. Por isso digo e repito, acho lindo quando vejo as meninas contando sobre seus namorados e esposos. Valorizem meninas, isso sim é gostar de verdade e é raro no dias atuais. 

O meu desafio atualmente, com todas essas mudanças é não me permitir ser igual àquelas pessoas que só enxergam parte e não o conjunto inteiro. É perceber além das aparências as pessoas, pois acredito que o que é realmente importante nessa vida não podemos ver, o essencial é invísivel aos olhos, mas é sempre muito claro ao coração.