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quinta-feira, abril 24, 2014

Quando precisamos nos reconstruir

Já perceberam que em nossas vidas existem coisas que podem ser reformadas e existem outras que só podem ser reconstruídas? Já notaram como muitas vezes tentamos ao máximo dar um jeitinho e queremos reformar aquilo que deve ser reconstruído? 

Isso ocorre em nosso mundo interior também. Muitas vezes tocamos vários anos de nossas vidas com pequenas reformas, que disfarçam e até impedem momentaneamente a estrutura ruir, mas infelizmente chega um momento em que elas não dão mais conta de sustentar tudo que desaba. E aí só nos resta enfrentar ou enfrentar, reconstruir. E vou confessar para vocês, ver tudo em ruínas é um momento terrivelmente assustador... 

Passei 32 anos da minha vida sendo cobrada demais, desmerecida demais, desacreditada demais, julgada demais, abandonada demais, anulada demais. Meninas, como não ser gorda assim? E eu nem percebi. Achava que a origem da dor era a obesidade, quanto engano. A obesidade era consequência. E quando ela se foi, aquela dor ainda estava lá. Ainda está aqui. 

É um peso grande demais de desamor próprio e eu nem posso dizer a vocês o quanto isso dói. Eu acreditei em tudo de ruim que disseram... Mas não quero mais levar isso comigo. Se me desfiz de 52 quilos também posso me desfazer dessa dores. Quero deixar tudo isso lá atrás, curar essas feridas. Quero aprender a me olhar de uma maneira bem diferente, com mais amor, mais carinho e acolhimento. Espero poder me desfazer de todo esse lixo mental, me reconstruir.

Certa vez, li em algum lugar que nós adoecemos (depressão, ataque de pânico, ansiedade, etc) não porque somos fracos, mas porque passamos tempo demais tentando ser fortes. Nós somatizamos essas dores que insistimos em esconder, em fingir que elas não estão ali. Estou passando por isso agora, e é  por isso que decidi escrever esse post, é mais um desabafo, desculpem.

 Estou em tratamento, no início. Imagino que ele será longo. Mas não estou com pressa, não tenho compromisso com ela, só tenho um compromisso gigante com minha paz.

Raquel 




terça-feira, fevereiro 18, 2014

Os vestidos

A maioria das pessoas que acessam meu blog tem problemas com a balança, com a comida. Ao menos eu acredito que uma pessoa magrinha não teria interesse em ler o conteúdo de um mundo que me parece bem distante do dela. Só quem passa ou já passou por problemas com o peso vai entender ou se identificar com a história que contarei aqui. Só para esclarecer é real, faz parte da minha história.

Já contei aqui que sou obesa desde a infância, então eu nunca tive a experiência de comprar uma roupa de tamanho "normal". Quando contava com 10 anos já não usava mais roupas dessa idade, usava um tamanho bem maior. Nessa época já enfrentava a frustração de escutar 'não tem seu tamanho". O pavoroso, '"não cabe". Ao menos não o que eu gostava ou o que cabia nas minhas amiguinhas da mesma idade.

Os anos passaram e a obesidade me acompanhou até a adolescência, depois quando fiquei adulta e o problema parecia não ter solução. Era um ciclo,  alguns meses suados de dieta, alguns quilos perdidos e depois vários anos com com o dobro do peso que havia perdido.

Mas foi num dia qualquer que essa história que divido com vocês começa. Eu estava com minha mãe num comércio próximo a minha casa quando me deparei com uma lojinha que vendia roupas. Eu sempre amei vestido e mexendo nas araras vi dois que me encantaram, fiquei apaixonada. Mas só de olhá-los na arara percebi que não cabiam em mim. 

Não sei o que me deu, mas a primeira coisa que pensei foi: vou comprar. Comentei com minha mãe e ela me disse o obvio: não cabem em você. Retruquei: vou fazer dieta. Ela mesmo meio descrente me presenteou com os vestidos. 

Mas eu não consegui fazer a dieta e os vestidos ficaram no armário. Quando íamos arrumar o armário para fazer a doação de roupas que não usávamos mais, minha mãe sempre coloca os dois vestidos no meio. Eu os retirava e dizia a ela: ainda vou usá-los. Os anos passaram e eu não emagreci e nem os usei. Mas não sei o porque também não conseguia doá-los. 

Com 30 anos fiz a cirurgia, alguns meses depois mexendo no armário eu vi os vestidos. Meu Deus, eles ainda estavam ali. Eles de alguma forma representavam uma esperança, um sonho de vestir por primeira vez uma roupa que eu realmente eu gostei. A esperança de alguma poder me superar, ser maior que meu problema.

Não me lembro exatamente em qual mês (depois de operada) os encontrei e passei a experimentá-los. Nos primeiros meses não cabiam, faltava muito para fechar. Mas a cada mês faltava menos e era uma emoção tão diferente que eu sentia por perceber isso. E foi também, num dia comum, mas que eu não consigo esquecer que eles couberam, apertados mas couberam. As lágrimas não puderam deixar de cair. 

Ninguém acreditava que eu vestiria aqueles vestidos, que eu emagreceria. Acho que no fundo nem eu achava mais isso possível. E vesti-los foi a realização de um sonho. O tempo passou e vestidos ficaram largos, que ironia. Um deles ainda é um dos meus favoritos. É uma gostosa sensação poder eliminar barreiras e alcançar obstáculos. É gratificante. A batalha é longa e a guerra contra obesidade não se vence, apesar de se poder controlar e isso é o mais importante.

Quem se deu o trabalho de ler essas linhas mal escritas eu tenho uma coisa a te dizer: acredite em você. Se agarre a seus sonhos. Eles podem ser desde um sonho bobo de caber num vestido ou podem ser maiores, não importa, acredite neles. Tenha fé, tenha paciência, a vida se dá aos poucos e as conquistas também. Seja Pela RA, seja pela cirurgia, acredite sempre em você, em algum lugar aí dentro tem o grande poder de superação.

Seus sonhos podem até estarem adormecidos, os meus ficaram anos a fio, mas eles estão aí, dentro de você, guardadinhos, esperando o medo ir embora para eles novamente tocarem seu coração e  te mostrar que eles podem  e vão ser alcançados, depende de ti. 

Raquel
Só para atualizar
2 anos de operada. Antes 120 kg. Atualmente meu peso normal é 69 kg. Nessa foto 71 kg (dá um desconto, estava de férias, rsrs)
Ainda não fiz plásticas, dá para notar, né? (mas vou fazer, rsrs)
Notaram o naipe do cabelo? Cuidado ao visitar Bonito, a água de lá faz miséria no seu cabelo. Não tem misericórdia, rsrs.



segunda-feira, setembro 30, 2013

Cirurgia bariátrica não é brincadeira


Este post é para as "Alices", que parecem viver no país das maravilhas e se comportam como se submeter a uma gastroplastia fosse uma brincadeirinha.

Participo (em redes sociais) de grupos sobre gastroplastia e é muito comum ler coisas de deixar qualquer operado (que tem o mínimo de bom senso) espantado com a tamanha falta de noção de algumas pessoas. 

Não sei exatamente se é porque a ficha delas não caiu ainda sobre a seriedade da cirurgia ou porque elas pensam que a bariatrica é moda.  O que me deixa mais indignada é que muitas delas se comportam como crianças mimadas, fazendo birra quando as coisas não saem do jeito e na hora que elas querem. 

Outro dia fiquei boba ao ler um post onde uma moça falava mal de um pneumologista. O motivo da revolta da moça era porque o médico explicou que ela deveria refazer uma polissonografia e depois usar cpap durante um mês antes da cirurgia, pois o primeiro exame havia diagnosticado apneia severa. 

Refeito o exame, ele liberaria o laudo referente a sua especialidade. A pessoa em questão ficou tão contrariada com a história que até colocou em dúvida a honestidade dele, chegando a dizer que ele poderia  estar procurando ganhar "mais" dinheiro "em cima" dela.

 "Peralá" né, por favor! O médico só estava sendo ético, profissional. Se a pessoa possui um grau de obesidade III, se a pessoa tem apneia severa, se ela não está conseguindo respirar normalmente nem em seu dia a dia, imagine sob efeito de anestesia.

Poxa, gente! Gastroplastia não é moda, não é brincadeira não. O pior de tudo foi ler as respostas ao post. Algumas diziam que o médico queria era dinheiro mesmo, que o comportamento dele era estranho, que havia sido o laudo mais fácil e por aí segue.


Mas senta que lá vem a história. Tempos depois, a  mesma criatura reaparece e abre outro post dizendo que usou o cpap durante a segunda polissonografia e que havia conseguido dormir muito bem, descansar de verdade e que não devia ter falado aquilo do médico.

 Só para constar as mesmas pessoas que falaram borracha ficaram caladinhas... Sem comentários, né? Tem horas que penso que tem gente que merece é médico açougueiro e mercenário mesmo. Sei lá, acho que nesse mundo a pessoa deveria desconfiar é do que é fácil demais, rápido demais.

Em outra oportunidade uma outra moça estava colocando em dúvida a competência da psicóloga porque ela pediu para conversar com o esposo e a filha da paciente antes de dar o laudo.

Nesse ponto vou deixar uma dica super valiosa: sempre procure psicólogo que tenha especialidade em distúrbios alimentares, sempre. Eu simplesmente não entendo o que passa na cabeça destas pessoas. Não compreendo! Cirurgia bariatrica não é como ir a manicure não gente, acorda!

Apesar dos índices de óbitos serem baixos e cirurgia ser bastante segura ela ainda é tratamento utilizado como último recurso para quem sofre com obesidade e não obteve êxito com outros tratamentos. Gastroplastia não é procedimento estético, não é milagre, não é oba oba. Por isso é fundamental fazer todos os exames que a equipe pede  e seguir as recomendações direitinho também. É sua vida, pense nisso, sua vida. 

Uma pergunta que sempre escuto: "quanto tempo demora da primeira consulta até o dia cirurgia?" MESES. Isso mesmo, MESES. Mas são meses necessários, acredite. O mais importante não é receber os laudos rapidamente, o que realmente importa mesmo é fazer um pré operatório mais criterioso possível, aquele que te ajude a evitar tudo de ruim que pode ser evitado. O que você considera mais importante, perder um tempo maior no pré e ter uma boa recuperação ou deixar tudo nas mãos do acaso (complicações, morte)?

Se você acredita que não tem tempo e não pode esperar por nada, então reveja suas prioridades. Talvez você ainda não esteja preparado para a cirurgia. 

Provavelmente você está se submetendo a essa cirurgia para ter uma vida melhor, com mais qualidade. Então tenha um pouquinho mais de paciência e faça tudo que esteja ao seu alcance para que a cirurgia seja uma benção em sua vida, não motivo de tristeza para seus familiares. Por favor, se trate com carinho e respeito e sem atropelar nada aproveite, deguste sua mudança, suas conquistas e vitórias.

terça-feira, agosto 20, 2013

Açúcar, o vilão.


O  tema que comentarei aqui hoje não é novidade, muito ao contrário: o açúcar pode ser um vilão, um grande sabotador. Você que já operou, que já perdeu e estabilizou o peso, tome muito cuidado com a ingestão de docinhos, refrigerantes (e álcool também).  Você que está em processo de emagrecimento, achou que ia te deixar de fora? Não! Você entra na lista também. A ingestão de açúcar (álcool) pode dificultar/sabotar seu processo de emagrecimento. 

Sabemos que em nossos novos minis estômagos não cabe grandes volumes de comida, pequenas quantidades nos dão a sensação e saciedade, porém, o doce (álcool) é tão traiçoeiro que ele não entra nessa regra. Já percebeu como você pode comer doce a vontade sem encher? Você enjoa, mas não enche. Daí é que vem o perigo, excesso de caloria vazia sabotando sorrateiramente nossas tão sonhadas pazes com a balança.

A regra de ouro é: se não quer ver todo seu esforço (lembra de todo o seu sofrimento pré e pós operatório?) jogados pelo ralo tome cuidado, evite. Faça substituições, tenha foco e disciplina e só se permita comer um docinho a vontade de vez em quando. Esse é o segredo, se deixar virar regra, rotina você vai colocar a perder tudo. 

Tá me achando terrorista hoje? Ando mesmo. Uma das coisas que meu médico me avisou lá atrás, há quase dois anos, e estou sentindo na pele agora foi sobre a ingestão de doces. Na época isso foi o que menos me preocupou porque antes de operar eu não dava bola para doce não. Durante o processo de emagrecimento não tive problema nenhum, pois o doce não estava presente na dieta. O drama explodiu agora já que agora me transformei numa formiga, numa devoradora de doces. Sinto uma necessidade enorme e constante de ingerir doces e isso tem me chateado demais. Chocolate então, nem conto, abafa o caso... O caso é que isso pode se transformar num problemão se não estivermos no controle da situação. O problema é deixar a situação sob controle...

Nem vou mencionar o fato de estar morrendo de medo de despertar o monstro compulsivo, devorador que tenho em mim e que anda adormecido há quase dois anos. Ai, ai, ai. 

O lado positivo que percebi, ao vivenciar essa situação, é que detectei a situação antes de começar a subir de peso e posso utilizar isso a meu favor. O lado negativo é que sempre fui fraca para comida, rsrs. Brincadeira a parte fica o alerta e a dica.