segunda-feira, abril 30, 2012

Tristeza perigosa


Bom dia bariamiga(o)s! 
Fiquei desidratada por tomar pouca água, me senti mal e o resultado foi uma visitinha ao hospital. Na verdade me sinto triste, estou passando por problemas e isso está me afetando muito. Antes eu enfrentava os problemas comendo, comendo, comendo e comendo. Agora eu choro, choro tudo que tenho que chorar, mas o detalhe é que nestes momentos não consigo comer. Estou fazendo um esforço enorme para comer, mas quando me sinto assim se eu forçar acabo vomitando. Espero que dias melhores cheguem logo e torço para que eu não precise fazer uma nova visitinha ao hospital. Orem por mim bariamigas, estou precisando de colinho.

sábado, abril 28, 2012

Vacilando feio... :(


Percebi que ando vacilando feio ultimamente. Não estou tomando os 2 litros diários de água recomendados. Sei que isso não é legal e é até perigoso. O problema é que me esqueço. Sei que não deveria mas isso acontece...  Depois que percebi isso estou mais atenta, mas ainda estou encontrando grande dificuldade para beber os 2 litrinhos.

Alguém passou por isso? Pode me ajudar com alguma dica ou algo assim?

Fique atento!
Como saber se estou me hidratando corretamente?


Como preparar alimentos mais saudáveis e com pouca gordura?


Óleos e gorduras emprestam sabor aos alimentos, mas fornecem muitas calorias ao nosso organismo. Por essa razão, além de particularmente energéticos, são "engordativos", se usados exageradamente, sobretudo quando se é sedentário ou se tem atividade física leve (o que, hoje em dia, corresponde à maioria das pessoas). Além de contribuírem para o aumento de peso, as gorduras põem em risco a saúde, quando em excesso, por levarem ao aumento do colesterol e, consequentemente, à aterosclerose.

É bom esclarecer que nem todas as gorduras são igualmente “perigosas”. As de origem animal constituem as mais prejudiciais: gema de ovo, banha de porco, toucinho, bacon, manteiga, creme de leite, maionese. Constituem as chamadas gorduras saturadas, ricas em colesterol ou que aumentam a sua produção pelo nosso organismo. Já as gorduras vegetais, como os óleos de milho, girassol, arroz e soja e as margarinas cremosas, não contêm colesterol.

Além disso, essas gorduras são polisaturadas, o que contribui para evitar a aterosclerose. O azeite de oliva e as gorduras dos peixes, por sua vez, são gorduras saudáveis, que ajudam a controlar as gorduras plasmáticas. Já o azeite de dendê, o leite e a gordura de coco representam exemplos de gorduras vegetais saturadas, que aumentam o colesterol do sangue. Além dessas, são prejudiciais as chamadas “gorduras trans”, que são vegetais, mas hidrogenadas, e por esse processo se tornam semelhantes às saturadas.

Entre as gorduras, como se vê, temos “amigos” e “inimigos”. Dos inimigos, devemos nos afastar ao máximo; dos amigos podemos usar, sem abusar.

Óleos e gorduras que devem ser evitados ou utilizados em quantidades bem pequenas: alimentos que contêm gorduras “trans”, azeite de dendê, banha de porco, bacon, carnes gordas, creme de leite, embutidos gordurosos (linguiça, salsicha, mortadela, salame, presunto com gordura), gordura de coco, gordura hidrogenada, leite integral, maionese, manteiga, margarinas duras, queijos gordurosos, torresmo.

Óleos e gorduras que podem ser utilizados, com moderação: azeite de oliva, óleo de arroz, óleo de canola, óleo de girassol, óleo de milho, óleo de soja, margarina isenta de gordura “trans”.

Algumas sugestões para reduzir o teor de gorduras da alimentação:

• coma verduras, legumes e frutas diariamente;

• cozinhe o arroz sem refogar, com água, cebola, alho socado e sal (sem excesso!). Se você não for obeso, pode acrescentar à água do preparo uma colher das de chá de óleo por pessoa;

• não use óleo nem qualquer outra gordura no feijão. Cozinhe-o com alho, cebola, cheiro verde, louro. Enquanto o feijão cozinha, esses temperos se desmancham e dão sabor à preparação. Mexa com uma colher de pau, quando o feijão estiver cozido e, nesse momento, acrescente o sal – sem excesso – e um pouco de azeite de oliva. Se for necessário, acrescente água ou deixe apurar, para chegar ao ponto certo do caldo. Para variar, experimente cozinhar junto com o feijão uma ou mais hortaliças, como abóbora madura, abobrinha, cenoura, chuchu, folhas de repolho, chicória, couve, talos de brócolis. Aumentam o gosto do prato e o seu valor nutritivo!

• procure refogar cebola e alho picadinhos em um pouco de água, até que fiquem transparentes e macios. Junte, então, tomates batidos, orégano ou manjerona e água: você terá um molho caprichado e “magrinho”. Você poderá refogar os temperos na água em lugar de óleo ou gordura também em outras receitas, como as de carnes cozidas, ou ensopados com legumes;

• cozinhe legumes, como cenoura, chuchu, abobrinha, vagem, abóbora madura e cebola, no vapor e tempere-as, ainda quentes, com vinagre ou limão, alho e uma dessas ervas aromáticas: orégano, salsinha, hortelã, alecrim, tomilho, entre outras (descubra os sabores de tais ervas e escolha as suas preferidas!). Regue com um pouquinho de azeite. Para cozinhar no vapor você pode utilizar uma panela especial ou uma peneira de alumínio colocada sobre uma panela com água. Coloque os alimentos sobre a peneira e tampe-a, enquanto a água ferve na panela. Além de saudáveis e nutritivas, as hortaliças ficam mais saborosas, assim preparadas;

• cozinhe verduras como couve, chicória, espinafre, folhas de rabanete ou de nabo, picadas ou rasgadas, direto na panela, com um pouquinho só de água e temperos. Abafe a panela e deixe em fogo baixo até cozinhar. Acrescente um fio de óleo ou azeite quando a verdura estiver cozida. Você também pode preparar legumes dessa maneira (diretos na panela, em fogo baixo, com pouca água e temperos, abafados até a água secar);

• desnate o leite em casa, do seguinte modo: ferva o leite, deixe-o esfriar e leve-o à geladeira. Quando gelado, retire toda a gordura que fica sobre a parte líquida. Precisando de um leite ainda mais magro, bata-o no liquidificador (depois de ter retirado a camada de gordura) e despreze a espuma que se formar.

Nutr. Denise Giacomo da Motta
Piracicaba – SP

sábado, abril 21, 2012

Espelho, espelho meu...

Que são muitas as mudanças que  nosso corpo sofre depois da cirurgia não é novidade. Que cada organismo vai reagir de maneira diferente a essas transformações também não é. O problema é que mesmo sabendo de tudo isso algumas coisas ainda me apavoram. Saber que pode acontecer é diferente de sentir na pele...

Há um tempo atrás eu contei para vocês que estava apavorada com a queda do meu cabelo. A quantidade de cabelo que tenho hoje não chega nem aos pés da quantidade que eu tive um dia.  Ele estava (e ainda está) caindo absurdamente. Conversei com o cirurgião e ele disse que a tendência é estabilizar a queda quando estabilizamos o peso (lascou!). Mas não é só no cabelo que tem me assombrado não, a pele e as unhas também. Minhas unhas estão extremamente fragéis, estão parecidas a papel. Por qualquer coisa elas quebram ou simplesmente abrem em camada, não importando se estão mais grandinhas ou curtinhas, com ou sem esmalte.

A pele também está em situação alarmante, ficou tão sensível e seca que me rendeu uma grave alergia. Encheu meu joelho e bumbum de bolinhas (as do bumbum são escurinhas e muito feias). O rosto também está detonado, sem vida... Depois de ver tudo isso o desespero bateu feio e fui correndo atrás de um dermatologista. Depois de escutar milhares de reclamações e me examinar ela me prescreveu um remedinho para o cabelo e unhas, um hidrante especial para o corpo para aliviar a alergia e para o rosto uma fórmula manipulada. Me orientou usar este kit de SOS por 3 meses. 

Estou torcendo muito para que este kit me ajude a reverter esta situação. Estou seguindo as recomendações da dermatologista direitinho, mas não notei diferença no cabelo e unhas. Só notei uma leve melhora na pele. Espero que daqui três as coisas estejam bem melhores...

Espelho, espelho meu, existe alguém mais apavorada do que eu? (:

Mas afinal, o que é uma alimentação saudável?

A alimentação está para o corpo humano assim como o combustível está para o automóvel. Proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e sais minerais contidos nos alimentos que consumimos diariamente formam o combustível de nosso corpo, chamados também de nutrientes.

Os nutrientes são utilizados para a produção de energia necessária à realização de nossas atividades, crescimento de nossas crianças, desenvolvimento e reparação dos tecidos e, ainda, para proteger nosso organismo de doenças. Levando em conta todos esses aspectos fundamentais, podemos afirmar: uma alimentação saudável é aquela onde se ingere todos os nutrientes de forma equilibrada, ou seja, respeitando a qualidade e quantidade de cada um.

As quantidades de nutrientes que você necessita são conhecidas por meio de uma avaliação de seu estado nutricional. Essa avaliação é realizada tendo como base idade, sexo, estatura, composição corporal (gordura, musculatura), atividade física e a condição de saúde geral de cada indivíduo.

Conheça então os grandes grupos de nutrientes:


» GRUPO 1:
Os nutrientes encontrado nesses alimentos chamam-se CARBOIDRATOS, constituindo-se na melhor fonte de energia para o seu organismo. Compreendem eles os cereais, os grãos, as farinhas, os biscoitos, os pães, as massas.

» GRUPOS 2 e 3:

As VITAMINAS e MINERAIS são os nutrientes encontrados nesse grupo, responsáveis por controlar determinadas funções essenciais ao corpo humano, como a produção de substâncias atuantes na defesa de nosso organismo (resposta imune). Incluem-se aqui as verduras, os legumes e as frutas.

» GRUPOS 4, 5 e 6:
As PROTEÍNAS representam o principal nutriente desses grupos, os quais são indispensáveis ao bom funcionamento do nosso corpo. Elas têm o papel de controlar nosso metabolismo, participando ativamente, além disso, no processo de crescimento e reconstituição dos tecidos corporais. Temos aqui o leite e derivados, as carnes, os ovos e as leguminosas.

» GRUPOS 7 e 8:
Tais grupos de alimentos abarcam os LIPÍDEOS e AÇÚCARES, provedores de energia para o corpo mas que, por possuírem alto valor calórico, devem ser consumidos com moderação. São eles, basicamente, os açúcares e as gorduras.

A seguir algumas dicas para uma alimentação saudável:

1. Não faça uma alimentação baseada em somente poucos tipos de alimentos. Lembre-se, nosso corpo precisa de todos os nutrientes!

2. Procure fazer 6 refeições por dia, alimentando-se de 3 em 3 horas. Pequenos lanches entre as refeições principais evitam a vontade de devorar o primeiro prato que encontrar pela frente.

3. Deixe na gaveta do escritório barrinhas de cereais, biscoito integral, frutas secas, castanhas etc. para ajudar você a não ficar mais de 3 horas sem se alimentar.

4. Se tiver vontade de comer um doce, coma-o. Mas, lembre-se: somente um pedaço ou unidade. Isso é melhor do que devorar uma caixa de bombons no final do dia.

5. Ingira bastante água durante o dia. A melhor forma de você saber se está ingerindo quantidade suficiente de líquido é observando a urina. Ela deve estar clara.

6. Leve sempre uma barrinha de cereais na bolsa. Quando a vontade de comer se manifestar, você já tem algo em mãos.

7. Ingira legumes e frutas todos os dias.

8. Evite alimentos fritos. Dê preferência aos grelhados ou cozidos.

9. Ingira alimentos ricos em fibras como legumes, verduras, frutas, arroz e pão integrais.

10. Nunca vá ao supermercado com fome. Vá sempre após uma refeição. Isso evitará que você pegue balas, chocolates e salgadinhos.

11. Nunca deixe para resolver os problemas do quotidiano durante as refeições. A alimentação deve ser num lugar tranqüilo, longe da televisão e com calma, mastigando bem os alimentos.

12. Evite líquidos durante as refeições, pois isto contribui para a distensão mecânica do estômago e diluição dos sucos gástricos, dificultando a digestão.

Nutr. Hevoise Fátima Papini
São Paulo - SP

A obesidade muito além do excesso de peso


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é o excesso de gordura corporal acumulada que traz consigo implicações negativas para a saúde. Seu desenvolvimento é multifatorial, ou seja, sofre influência genética, ambiental e comportamental.

Para visualizarmos o cenário da obesidade no Brasil, vamos utilizar a Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) (2010) que relatou a prevalência de sobrepeso em 48% nas mulheres e 50,1% nos homens acima dos 20 anos de idade. Esta mesma pesquisa relata que as crianças brasileiras estão acima do peso para o padrão internacional estabelecido, ou seja, esta geração já está no processo de ganho de peso desde a infância.

Assim, se o ritmo de crescimento for mantido, em 2020 teremos uma população com 30% de obesos, caracterizando um problema de saúde pública, como já há nos Estados Unidos.

Mas como a obesidade nos afeta?

Estamos sujeitos a influências: físicas (ambiente), químicas (organismo) e psicológicas (relações humanas). A rotina estressante e o tempo escasso levam a hábitos que visam facilitar a rotina e que, em contra ponto, prejudicam a saúde.

Gastos aumentados: A praticidade que os alimentos industrializados ou prontos oferecem, têm refletido no orçamento de todas as famílias brasileiras. Estes produtos são mais caros, apresentam densidade energética elevada (maior quantidade de calorias em um volume menor de alimento) e acabam aumentando os gastos com alimentação. Desta forma, deixamos de lado o comportamento primário da alimentação: busca, seleção, preparo e consumo. Esta seqüência simples favorece o reconhecimento do apetite (e não simplesmente a fome inespecífica) e ingestão em quantidade adequada. Ademais, a obesidade facilita o desenvolvimento de outras doenças associadas como: diabetes, hipertensão (pressão alta), doenças coronarianas e respiratórias e, para o tratamento destas são necessários medicamentos que, mais uma vez, somam-se aos gastos.

Sexualidade: A imagem corporal alterada torna-se negativa para o obeso e afeta significativamente em sua qualidade de vida. A obesidade geralmente impacta na atividade sexual, redução do desejo e aumento de dificuldades no desempenho e ereção, levando à negatividade da sexualidade. De acordo com estudos, há mais relatos de comprometimento negativo da qualidade de vida das mulheres obesas em relação aos homens.

Expectativa de vida: Com a evolução da Medicina, tratamentos precoces e cuidados com a alimentação e o corpo, a expectativa de vida mundial aumentou para 73,17 anos, segundo dados atuais do IBGE. Entretanto, no grupo dos obesos ocorre o contrário. Houve aumento da prevalência da obesidade no mundo o que favorece o desenvolvimento de doenças como diabetes, insuficiência cardíaca e hipertensão, fruto da vida sedentária e má alimentação, o que pode reduzir a expectativa de vida.

Atividade Física: O excesso de peso prejudica, além dos sistemas fisiológicos, estruturas do corpo, principalmente a coluna e os joelhos. Como conseqüência, estes locais de suporte e ação sofrem maiores impactos e já desestimulam a atividade física antes de a mesma começar. Estudos demonstram que a falta de atividade física regular tem o mesmo, ou maior impacto no ganho de peso do que o consumo calórico excessivo. Criar o hábito de caminhar todos os dias, por pelo menos 40 minutos, reduz o risco do desenvolvimento de doenças (diabetes, pressão alta, cardiopatias), previne depressão, crises de ansiedade e estresse através da regulação dos neurotransmissores: dopamina, serotonina e norepinefrina – substâncias que proporcionam sensação de bem-estar e satisfação.

Saúde mental: Sentir-se bem, feliz, confortável com o corpo é essencial. Mas e quando isso não acontece? A baixa autoestima soma-se ao estigma de descuido que o obeso recebe da sociedade, por olhares discretos ou comentários maldosos. É como se o excesso de peso implicasse em características negativas de convívio, tornando-se uma desculpa para piadas. Neste momento é primordial fortalecer a confiança, saúde física e mental. Como? Preservando os amigos, mantendo relações saudáveis, conviver a família, trabalhar com que gosta. Ao cuidarmos da alimentação, corpo e mente, os benefícios são uma certeza!

Custo público: O gasto público com a saúde no mundo têm se elevado. Na maioria dos países, o custo do tratamento é SUPERIOR ao investido em prevenção. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que os gastos individuais de mulheres e homens obesos é nove e seis vezes maior, respectivamente. Além dos gastos públicos para tratamento da doença: exames, consultas médicas, internações hospitalares e medicamentos, há também os relacionados ao emprego: faltas e incapacitação.

A mudança é possível, sempre! Basta querer e procurar profissionais habilitados que possam lhe orientar da melhor maneira. Porque a vontade de mudar é o primeiro e mais importante passo.

Nutr. Laís Sassaki Furine
São Paulo - SP

quarta-feira, abril 18, 2012

Medo de... comer.

 Sou só eu que sou ultra mega hiper liper surtada ou mais alguém ficou com medo de comer depois da cirurgia? Eu fiquei com medo, medo de acordar novamente este monstro que dorme dentro de mim. Para ser sincera eu ainda não sei se o monstro dormiu ou morreu. Ainda não descobri...

Não tenho problemas para seguir a dieta que a nutricionista me prescreveu, como de 3 em 3 horas, as porções exatas e não me sinto ansiosa para comer mais, me sinto satisfeita.  As vezes até me esqueço de comer porque é muito difícil eu sentir fome. O problema é, por exemplo, o sábado a noite. A nutri me liberou para eu comer o que eu quiser (dentro do razoável é claro) e eu fico encucada, não me sinto confortável. Sei lá, percebi que estou com muito medo de voltar a comer de maneira descontrolada.

Até hoje eu tenho gerenciado bem essa nova vida. Mas antes de operar eu comia só besteira e  agora tenho medo de provar as besteiras e voltar a querer comer só isso. Mas o pior de tudo é que eu ainda não tive crises de gula, tenho me comportando muito bem, mas mesmo assim não me sinto a vontade para voltar a comer algumas coisas. É muita neura, né? Eu sei, mas me sinto assim com medo de comer.

sexta-feira, abril 13, 2012

Gordinha do outro lado espelho

Do outro lado espelho
Eu me olhava e via aquilo que todos viam e também via o que muitos fingiam não ver. Eu senti  a desilusão de ser vista e tratada só como um corpo.
Do outro lado do espelho
Enxerguei só o meu corpo e me esqueci que a Raquel tem um corpo e que ela também é mais que isso.
Do outro lado do espelho
Eu sofri e chorei porque me deixei convencer de que o eu via refletido dizia tudo sobre mim.
Do outro lado do espelho
A escuridão me acompanhou por muito tempo porque me traí esquecendo a minha essência.
Do outro lado do espelho
Percorri um longo caminho para redescobrir quem eu sou.
Do outro lado do espelho
Eu descobri que o espelho pode me dizer muitas coisas, mas ele nunca poderá dizer tudo sobre mim porque ele não reflete quem eu sou.
Do outro lado do espelho
Eu tive um reencontro e este reencontro foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.
Do outro lado do espelho
Mais uma vez me olho, mas agora tenho a certeza que não sou só meu corpo, sou mais, muito mais e não importa o corpo que eu tenha a minha essência é que me guia.

quinta-feira, abril 05, 2012

Tristeza: Qual o seu propósito?

A próxima vez que você se sentir triste,  considere não colocar esse sentimento de lado. Você acha que é o único a preferir evitar a sensação de tristeza ao invés de lidar com ela e a olhá-la de frente? Garanto-lhe que não, a maioria de nós não aceitamos este estado de abatimento, este estado melancólico que nos envia para um banco de memórias de perdas, erros, fracassos, dificuldades, dor, angústia, etc. Mesmo aqueles que consideramos supostamente mais fortes, até esses não gostam de falar abertamente sobre sentimentos negativos, pois temem que isso lhes retire capacidades, discernimento e os enfraqueça. Todos nós, em geral, evitamos os sentimentos negativos. Ninguém gosta de ter de lidar com eles.

De fato, uma das tendências mais consistentes que verifico na minha prática clínica é que tanto homens como mulheres repudiam a tristeza, como se de alguma forma fossem traídos por esse sentimento. Imagine, por exemplo, um executivo de publicidade expressar tristeza para um grupo de executivos numa sala de reuniões. Certamente ninguém se iria sentir confortável, nem sequer a mensagem seria transmitida de forma entusiasmada e enérgica. Quando nos sentimos deprimidos ou em baixo, normalmente sentimo-nos letárgicos e sem energia, como se não estivesse acontecendo nada de estimulante. Outros sentimentos negativos, como raiva, são muito mais atraentes porque sentimos que de certa forma nos dão capacidade, sendo mais apelativo: Você sente-se energizado, sente que sabe para onde dirigir o seu ímpeto e para quem. Mas a tristeza faz-nos sentir fora das coisas, é uma dose de nada, um sentimento amorfo que reduz o ímpeto, como se ficássemos ligeiramente anestesiados.

A TRISTEZA É INFORMAÇÃO QUE PRECISA DA SUA ATENÇÃO

No que diz respeito à tristeza, o problema é que as pessoas não a aceitam pelo seu verdadeiro propósito (objetivo). Mas sim, com toda a certeza, a tristeza tem o seu propósito bem definido. O objectivo da tristeza é para o fazer sentir (lembrá-lo e alertá-lo) que algo foi perdido, que algo aconteceu que não lhe serve ou lhe provoca mal-estar. E é tarefa do sofredor fazer o trabalho mental de descobrir o que é que o incomoda. Isto aponta para um problema mais amplo que muitas pessoas enfrentam no seu dia-a-dia. Por vezes quando nos sentimos tristes no meio do turbilhão de coisas que temos para fazer, simplesmente desejamos que rapidamente esse sentimento se afaste. Passamos rapidamente para a tarefa seguinte, sem percebermos a verdadeira razão por nos sentimos dessa maneira. Algumas vezes esta estratégia pode comprovar-se eficaz. Mas, se o assunto/situação for realmente pertinente, a tristeza irá fazer-se sentir novamente, só que agora noutro contexto, sem causa aparente. Nesse momento, temos mais dificuldade para identificar as razões, ficamos confusos. À medida que a tristeza se vai instalando, a nossa atenção vai-se dirigindo para o nosso mal-estar.
Sem percebermos o que se passou, tentamos a todo o custo, evitar, repudiar esse sentimento que nos causa uma enorme angústia, esse sentimento que pode vir a interferir com a nossa funcionalidade. Numa primeira fase os nossos corpos ficam lentificados, essencialmente, para nos ajudar a focar e resolver um problema que pode estar a surgir nas nossas vidas. Quando visto como temporário e como um subproduto positivo da nossa longa história humana, podemos superar a tristeza de uma forma rápida e positiva.
Por outro lado se continuarmos a desejar não nos sentir assim, e não prestarmos a atenção devida podemos sair prejudicados. Se não tentarmos perceber que o nosso sentimento de tristeza nos está a enviar uma mensagem, que está a enviar-nos informação na forma de uma sensação física e emocional, outros problemas associados podem surgir, tais como depressão, ansiedade, fobia social .
Dica: A tristeza é informação subtil que nos “obriga” a dirigirmos a nossa atenção para algo que necessita de ser resolvido, melhorado ou compreendido.

TRANSFORME A SUA TRISTEZA NUMA VANTAGEM

Como é que você pode usar a sua tristeza com uma vantagem? A tristeza deve ser vista como um estado temporário e útil. É normal ficar triste. A tristeza existe para ajudar-nos, por exemplo, a resolver um problema pessoal Quando você se protege, evita  e abafa todo esse sentimento, ou procura as pessoas para que o animem, você  está a perder a oportunidade de perceber algo útil para si. Em primeiro lugar, que você tem a habilidade para fazer mudanças sólidas ao que lhe provocou perda ou mal-estar que justifique a tristeza e, segundo, que tem capacidade para persistir e para lidar com a situação, até que a alteração tenha efeito. Reforçando novamente a ideia, a tristeza, assim como todas as emoções, é um estado temporário, os nossos corpos não suportarem o impacto emocional por muito tempo, assim, devemos usá-las (emoções e sentimentos) a nosso favor, enquanto as sentimos.
Lembre-se: A tristeza pode ajudar-nos a ter/fazer melhores decisões. Muitas vezes, sofremos a dor emocional de modo que aprendemos a evitar certos comportamentos e a fazer melhores escolhas na vida. Quando algo não funciona para nós, ficamos propensos a tentar fazê-lo de forma diferente da próxima vez.

Apresento algumas maneiras de experimentar a tristeza normal de uma maneira saudável e permitir que esta emoção seja vantajosa na sua vida:

  • Permita-se estar/ficar triste. Negar tais sentimentos pode forçá-lo ao recalcamento, fazendo com que numa fase posterior a sua força se faça sentir provocando mais dano. Chore se você sentir essa necessidade. Provavelmente irá sentir alívio depois de chorar.
  • Se você se sentir triste, aceite estar triste durante algumas horas ou um dia. Use a sua tristeza para fazer uma introspeção, decida ficar sozinho, ouvir música melancólica, e observar os seus pensamentos e sentimentos. Planejar um determinado tempo para expressar a sua infelicidade temporária, pode ajudá-lo a sair desse estado.
  • Pense no contexto em que emergem esses sentimentos de tristeza. São relacionados a uma perda ou a um evento infeliz? Geralmente não é tão simples como descobrir a “causa ” da tristeza, mas talvez seja possível compreender os fatores envolvidos.
  • A tristeza como resultado de uma mudança. A tristeza pode ser resultado de uma mudança que você não esperava, ou pode sinalizar a necessidade de uma mudança na sua vida. A mudança geralmente é stressante, mas é necessário para o nosso crescimento.
  • Estar temporariamente triste não é depressão. A depressão é diferente de tristeza.

    Fonte:
    http://www.escolapsicologia.com/tristeza-qual-o-seu-proposito 
    Autor : Miguel Lucas
    Licenciado em Psicologia, exerce em clínica privada. É também preparador mental de atletas e equipas desportivas, treinador de atletismo e formador na área do rendimento desportivo. É autor da Escola Psicologia.

Humor


domingo, abril 01, 2012

Recomeçando


"Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé.
"
Gonzaguinha - Eu apenas queria que você soubesse

Passar pela experiência da obesidade deixou em mim marcas bastante profundas. Algumas o tempo vai apagando devagarinho, outras não. Tem pessoa que é gordinha e vive feliz da vida, eu não era assim. Se bem que nem posso dizer que era gordinha, era obesa mesmo, e isso me trazia muitos problemas e eu definitivamente não sabia lidar com a situação.

Aos poucos as limitações que sofria por ser obesa foram me deprimindo de maneira tão intensa que eu não quis mais viver e passei a me isolar. Sofria, sofria muito. Sentia uma profunda frustração por nunca conseguir me controlar e não poder solucionar o problema. Sentia que vivia, literalmente, só para comer (estou falando isso sem exageros) e reencontrar velhos amigos e/ou parentes para mim era uma tortura. Eu fazia qualquer coisa para não revê-los, porque quando os encontrava tinha a nítida impressão de que todos eles estavam vivendo suas vidas e eu só.. comendo. Nestes momentos me sentia a pior pessoa do mundo, a pessoa mais pequena, a mais fraca e também a mais inútil da face da Terra. Todos estavam concretizando seus projetos, trabalhando, namorando, casando, tendo seus filhos, viajando, estudando, todos estavam, de alguma maneira vivendo e eu trancada em casa... comendo. 

E eu me sentia mal, me sentia tão frustrada, me sentia tão culpada, sentia tanta raiva de mim mesmo. Sentia raiva porque a vida sempre foi muito generosa comigo, me deu uma família maravilhosa, me deu tantas coisas, tantas oportunidades que eu não  aproveitava. E quando eu via tudo isso eu me perguntava  porque eu agia desta maneira e não entendia porque era tão fraca. E sentia mais frustração e raiva. E então ia desafogar tudo isso comendo. E quando comia me sentia momentaneamente aliviada. Mas depois eu tinha que enfrentar a realidade, olhar minha vida (que já não era vida) e contastava que comer era meu melhor e também meu pior prazer. E assim, ano após ano vivi presa neste circulo vicioso, que me consumia dia-a-dia. Sentia tristeza porque comia e comia  porque sentia tristeza.

A cirurgia me ajudou a recomeçar, ela está promovendo um reencontro comigo mesma. As poucos vou me reencontrando, me redescobrindo. Aos poucos estou voltando a viver. Já não me isolado e tenho prazer em viver. As vezes sinto que a danada da tristeza ainda está aqui comigo, mas já procurei ajuda para entender e quem sabe solucionar isso. Hoje me sinto tão diferente, a raiva foi embora, a frustração também. É como se um peso enorme tivesse sido tirado de cima de mim (sem trocadilhos, rsrsrs). 

A cirurgia mudou minha vida? Sinceramente e definitivamente sim, ela me mudou e de alguma maneira me salvou de uma vida muito medíocre. Se a cirurgia solucionou todos meus problemas? Não, longe disso, eu tenho meus problemas ainda. Mas a cirurgia fez algo maravilhoso por mim, quebrou o circulo vicioso, me deu a oportunidade de recomeçar e hoje eu já não vivo mais o pesadelo de viver para comer.

 A relação que hoje tenho com a comida é diferente, graças à Deus é diferente. Não é uma relação harmoniosa, não mesmo. Eu simplesmente fiquei com medo de comer, ficou marcado isso em mim, medo da comida, medo de despertar esse monstro que dorme dentro de mim e que me fazia tanto mal. A relação hoje que tenho com a comida é de respeito e medo. Hoje aprendi a dizer não à comida. Também aprendi a não querer "comer" minhas emoções e sentimentos. Se estou passando por problemas que me angustiam eu simplesmente os vivo, choro o que tenho de chorar, sofro o que te de sofrer e depois levando sacudo a poeira e sigo meu caminho.

Hoje quando me olho no espelho não vejo uma miss, longe disso, ainda tenho um caminho longo para trilhar, mas o que vejo me deixa feliz, não necessito ser uma miss para me sentir feliz comigo mesma. E o que mais me deixa contente é que estou cheia de sonhos novamente, mas mais que sonhos estou cheia de vontade de concretizá-los e sei que vou realizá-los.  

A cirurgia me ajudou muito, muito, muito. Me ajudou a enxergar tantas coisas, me ajudou a ver que não preciso ser sempre forte, tenho o direito de cair, mas tenho dever de me levantar. Também me mostrou que, gorda ou magra, eu sempre serei a Raquel, mas isso é tema para outro post.